‘Caterpillar’ por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

“Durante a guerra Sino-Japonesa, o Tenente Kurokawa regressa a casa”, esta é a sinopse que se pode ler no site do Estoril Film Festival ) deste filme de Kôji Wakamatsu, um dos realizadores mais importantes do cinema “Pinku Eiga” (filmes cor-de-rosa, eróticos). É uma sinopse muito incompleta, já que o Tenente Korokawa vem sem braços e sem pernas, com parte da cara queimada, está a ficar surdo e tem de ser a sua mulher, a verdadeira protagonista do filme, a tomar conta dele.

Adicionalmente, Korokawa está a tentar lidar com a culpa de pelo menos uma violação que fez durante a guerra, que se vê na cena inicial do filme, e que o está sempre a perseguir.

Baseado num conto censurado de Edogawa Rampo, pode perceber-se que um filme chamado “Lagarta” sobre um tetraplégico abandonou qualquer subtileza em função da mensagem anti-guerra que pretende passar. É um filme duro, como seria de esperar, mas com valores de produção quase amadores. Parece mais algo que se poderia encontrar no YouTube feito por adolescentes revoltados com um programa de edição para adicionar uns efeitos do que a obra de um realizador estabelecido. Para além disso, torna-se óbvio, ao fim de algum tempo, tudo o que o vai acontecer no filme, incluindo o final.

É um filme brutal, amador e aborrecido, o equivalente a ir a um concerto de um estilo de música agressiva que não se goste por uma banda de miúdos: sai-se de lá com uma dor de cabeça e pouco mais.

O Melhor: Shinobu Terajima, a protagonista, que mereceu o Urso de Prata que recebeu por este papel.
O Pior: A imagem e os efeitos visuais.

A Base: É um filme brutal, amador e aborrecido…3/10

João Miranda

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