
Toda essa polémica poderia ter sido evitada se “Tropa de Elite 2” não fosse uma sequência, mas sim a parte final do primeiro filme, já que o realizador José Padilha rectifica o comportamento equivocado do Capitão Nascimento (Wagner Moura), que, por sua vez, acreditava que a única forma de resolver o problema de segurança pública no Rio de Janeiro era matando “favelados”, batendo na classe média e armando ainda mais o BOPE.
Quem conhece o Rio sabe que o tráfico nas favelas é apenas a ponta de um grande iceberg, por conta disso, já no início da projecção, percebemos que os quinze anos passados, entre uma história e a outra, transformaram o sanguinário policial em um secretário de segurança pública consciente de que o problema é bem maior que o cigarro de maconha que é vendido por um “favelado” aos jovens da zona Sul da cidade (onde se encontram os bairros mais ricos). Passando a concentrar seus esforços na tentativa de provar que os verdadeiros criminosos estão nos gabinetes dos governantes da cidade.
Esta mudança de postura fez com que a saga ganhasse uma visão mais ampla sobre a violência na Cidade Maravilhosa, passando a inserir personagens invisíveis no primeiro longa, como políticos e policiais milicianos. A diferença entre a postura de total descompromisso ideológico da primeira produção com o papel activista social da segunda é o que faz de “Tropa de Elite 2” uma poderosa arma contra a impunidade, em favor de uma melhor consciencialização política da população carioca.
O compromisso de esclarecer as interpretações dúbias do primeiro tropa fizeram com que o diretor deixasse de lado as barulhentas cenas de acção e investisse no encaixe entre as tramas que gira em torno de diversos núcleos, além de diálogos mais profundos e longos, porém sem nunca fugir do conceito inicial da trama. O roteiro novamente ficou a cargo de Braulio Montovani (também autor de Cidade de Deus), contando com a colaboração do próprio José Padilha e do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro Rodrigo Pimentel. Novamente realizado sob a óptica do (agora) Comandante Nascimento em um grande flashback.
“Tropa de Elite 2” já chega quebrando recordes, ganhando o posto de quinta maior abertura da história do cinema no Brasil, tendo sido assistido por cerca de 1,25 milhões de espectadores somente no primeiro fim de semana. Contando com 690 cópias em todo o país. Os números são mais significativos se levarmos em conta que não se trata de uma fita que propõe apenas a diversão, mas também uma reflexão sobre a corrupção em uma das principais cidades do Brasil.

