Documentário brasileiro, lançado em DVD, mostra os diversos pontos de vista sobre o cantor que foi de herói a vilão no início dos anos 70

(Fotos: Divulgação)

Descontraído, debochado, negro de origem pobre, delator, fenómeno, decadente, alcoólatra, rico, carismático, enfim, fica difícil definir Wilson Simonal, após o documentário “Ninguém Sabe o Duro que Dei”, dirigido pelo trio Cláudio Manoel,  Micael Langer e Calvito Leal, sobre a história do cantor brasileiro que foi execrado pela sociedade, pela classe artística e pela imprensa, após ser acusado de colaborar com a ditadura  e que morreu tentando  provar a sua inocência.

Esta retratação, extremamente didáctica, e com defeitos visíveis – como o uso de videografismo excessivo, talvez para esconder a falta de material de acervo – só não é tempo perdido por dar vozes aos dois lados da história que culminou com o desastre profissional do cantor.

A primeira parte não passa de um flashback de todo o auge da carreira do carioca pobre, que descobriu no exército que tinha talento para a música  e que conseguiu feitos incríveis como segurar um coro de 30 mil pessoas no Maracanãzinho (ginásio anexo ao estádio maracanã), fazer dueto com Sarah Vaughan (sem falar inglês) e receber elogios do mito Giulietta Masina.

Já a terceira parte fica por conta de seu período decadente,  dominado pelo alcoolismo, marginalizado e esquecido, após ser acusado de sequestro e apoio à ditadura.

A resposta para essas acusações está contida em uma das várias versões apresentadas na segunda parte do documentário, quando vozes do meio artístico, pessoas próximas ao cantor e até mesmo os inimigos descrevem sua personalidade. Obviamente é impossível dizer qual dos depoimentos descreve o verdadeiro homem por trás do personagem, ficando a cargo de quem acompanha o documentário descobrir  a verdade.

O certo é que Wilson Simonal foi traído pela sua própria arrogância e por não medir as consequências de suas atitudes. Achou que tinha o mundo aos seus pés e, quando descobriu que tudo  caminhava para um fim trágico, tentou recuar, mas já era tarde demais. Resta saber de qual Simonal fica para história: o homem ou o mito ?

Bruno Marques no Rio de Janeiro

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