Favela Pop

(Fotos: Divulgação)

Chegou na passada semana (27) aos cinemas brasileiros, a reunião de cinco curtas-metragens  ”5x Favela – Agora por nós Mesmos”, refilmagem do clássico de 1961, na época realizada por cinco cineastas pertencentes à classe média carioca. A nova versão, contudo, foi executada por jovens habitantes das favelas cariocas. Produzido pelo experiente cineasta Carlos Diegues “Bye Bye Brasil”, a longa-metragem gerou uma grande expectativa,  principalmente após a sua exibição durante o último festival de Cannes,  além de ter recebido sete prémios no recente  Festival de Cinema de Paulínia .

Quem acompanha o nosso cinema sabe que os principais blockbusters  usam essas comunidades como pano de fundo para histórias violentas. Vale lembrar que “Tropa de Elite”, vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim  e “Cidade de Deus”, indicado a vários Oscars, fazem parte desse grupo.

Mas, afinal, o que de tão atraente  apresentam as favelas cariocas para despertarem tal fascínio tanto por parte do público quanto dos realizadores?

Talvez a resposta esteja no processo histórico que levou à transformação dessas localidades em verdadeiros velhos oestes contemporâneos, sofrendo sob o domínio do tráfico de drogas e o descaso dos nossos governantes.

Sendo assim, essas sociedades, após a passagem do século, passaram a despertar maior curiosidade e, com o tempo, glamour, na população “do asfalto” (denominação dada pelos habitantes dessas comunidades  aos moradores de bairros das classes mais altas), E agora essa gente procura uma interacção com aquele espaço, por muito tempo esquecido.

A fama, sem dúvida, trouxe muitos benefícios a essas populações, que já não são tão excluídas. Pode-se dizer que, actualmente, ser favelado (termo, antes, perjorativo atribuído aos habitantes das favelas) é ser pop. Tanto que já foi realizada uma adaptação de ”Romeu e Julieta” em “Maré – Nossa História de Amor” , além de estar programada, para o próximo ano, a sátira “Os Inocentes”,  que contará com ro guião de Rafael Dragaud, coordenador dos textos que serviram como base para “5x Favela” e que pretende gozar com os seus próprios clichês.

Segundo a produtora de “Os Inocentes”, Mariza Leão, em entrevista ao site globo.com, a intenção da película não é atacar as produções passadas nessas regiões carentes, já que, como diz a profissional, “Favela não é só banho de sangue”.

A mesma poderia ter concluído seu raciocínio da seguinte forma: “favela também é produto”.

 

Bruno Marques no Rio de Janeiro

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