O Cinema Vertical

(Fotos: Divulgação)

Há umas semanas atrás saiu, na primeira página do segundo caderno do jornal brasileiro O Globo, uma interessante reportagem sobre as novas possibilidades, que o chamado “Cinema Vertical” pode trazer. Mas, afinal, o que é cinema vertical? Nada mais, nada menos, que a possibilidade de exibição com enquadramentos em pé, em outras palavras, quando se dá um maior destaque à altura dos objectos. Esse método, que teve sempre destaque no universo da fotografia, nunca teve muito espaço no cinema até o lançamento dos novos IPads, o novo aparelho o multiuso da Apple, que promete, entre outras coisas, popularizar esse tipo de formato.

Então, o cinema horizontal vai acabar? Os iPads vão acabar com os iPhones? Muitas perguntas continuam sem resposta, mas, se o “produto cinema”, como estamos habituados, deixar de existir, assim como a gira-discos e o teletipo, é sinal de que ele estava obsoleto. Entretanto, vale a pena lembrar que o computador não acabou com os livros, nem a coca-cola com a água.

Talvez o centro do debate não seja somente o posicionamento da tela, mas uma questão muito mais preocupante, para quem vive da sétima arte, que é o facto de os cineastas terem contas para pagar, já que um novo formato, feito especialmente para circular na grande rede, exclui qualquer possibilidade de controle da distribuição do produto, pois um download “legalizado” pode repassar a mesma informação gratuitamente a milhões de pessoas.

É certo que não somente o cinema vertical e as novas formas de transmissão de dados tiram o sono dos grandes estúdios, pois apostava-se muito nas exibições em 3D como forma de produto exclusivamente das salas de exibição, no entanto, o lançamento das novas TVs da Sony, que suportam o formato, provavelmente fará com que o cinema volte a competir com vendedores ambulantes e hackers, em uma luta desigual, até que a arte criada pelos irmãos Lumiére tenha que se reinventar mais uma vez.


Bruno Marques

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