Indie Lisboa ’10 : o balanço final por João Miranda

(Fotos: Divulgação)

Este ano foi marcado pela presença forte do cinema português no Indie: dos 276 filmes exibidos, 40 eram portugueses e dos 5 filmes eleitos pelo público nas votações efectuadas à saída das sessões, 4 foram portugueses, todos documentários. Há uma melhoria evidente na produção portuguesa, principalmente nos documentários.

Este ano ficou também marcado por algumas questões organizativas, desde o atraso na publicação das sinopses dos filmes do festival, a problemas de entradas nas sessões no cinema Alvalade. Apesar disso, a nível da venda de bilhetes viu-se a vantagem que uma infra-estrutura como a da Culturgest consegue oferecer.

Dos 24 filmes que vi nesta edição, destacam-se os dois de Hong-Kong – “Vengeance” e “Accident” – que usam fórmulas de Hollywood em conjunto com formas e estruturas narrativas diferentes, criando filmes que, apesar das suas falhas, se tornam bons momentos de cinema. A estes junta-se o renascimento do cinema romeno em “Tales From the Golden Age”, a loucura do pastiche pós-moderno delirante que é “Black Dynamite”, a sensibilidade de “Humpday” e as preocupações tecnológico-sociais de “Summer Wars”. Mas a verdadeira surpresa do festival foi “Symbol”: a partir de um conceito aparentemente absurdo e com um grande sentido de humor, este filme explora temas profundos de forma muito acessível e sem nunca se tornar aborrecido. Outro filme muito emocional foi “As Horas do Douro”, um documentário sobre a zona e a produção vinícola ao longo da História, na descrição dos rituais anuais e das pessoas associadas.

Quanto ao vencedor do festival – “Go Get Some Rosemary” – mantenho a posição de achar que é um filme feito para festivais, com muito pouco interesse (apesar de ir ter distribuição pelas salas portuguesas em Julho) e, depois de o saber autobiográfico, um exercício pessoal de terapia por parte dos irmãos Safdie.

No global, esta foi uma boa edição do festival, com uma muito boa escolha na programação, mas com alguns problemas organizacionais que não seriam de esperar no 7º ano de existência. Esperemos que tenham sido pontuais e que o Indie consiga tornar-se uma referência no circuito de festivais, se não mundial, pelo menos europeu.

João Miranda

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