Descubra “O Sítio das Coisas Selvagens” (Where the Wild Things Are)

(Fotos: Divulgação)
 
Uma das propostas mais originais de 2009/2010 chegou este fim-de-semana a Portugal. “Where the Wild Things Are” é um filme para crianças adaptado de um livro desenhado dos anos 60, mas vem realizado pelo realizador de culto Spike Jonze (“Queres Ser John Malkovich?”, “Adaptation”) e com uma banda sonora composta pela improvável Karen O, do grupo Yeah Yeah Yeahs.
 
“Where the Wild Things Are” trata-se de um livro infantil ilustrado, o mais célebre da carreira de Maurice Sendak, originalmente publicado em 1963. A sua narrativa acompanha o jovem Max, que gosta de correr em casa disfarçado de lobo e é frequentemente mandado para a cama sem jantar. Mas no seu quarto a aventura continua, pois é onde ele cria uma floresta imaginária, onde vivem as coisas selvagens que dão nome ao livro.
 
Um dia ele decide fugir. Max vai ter a uma ilha onde encontra criaturas misteriosas e estranhas, cujas emoções são tão selvagens e imprevisíveis como as suas acções. As Coisas Selvagens procuram desesperadamente um líder para orientá-los, tal como Max anseia por um reino para governar. Quando Max é coroado rei, ele promete criar um lugar onde todos serão felizes. No entanto, cedo descobre que governar o seu reino não é tão fácil como parece, especialmente por culpa de Carol, um monstro muito seu amigo mas emocionalmente instável.
 
 
Max e o seu melhor amigo, o monstro Carol.
 
O livro foi adaptado pela primeira vez ao cinema em 1973 numa curta animada realizada pelo mítico Gene Deitch, para a Weston Wood Studios. Pode ver a curta neste link: http://www.youtube.com/watch?v=fSkHA6IjrlY
O filme de 2009 vem produzido por Tom Hanks e pelo próprio Maurice Sendak, que acompanhou Spike Jonze nas filmagens e promove o filme com grande orgulho (o que não é muito habitual nas adaptações). O elenco conta com Catherine Keener (“The Soloist”), Mark Ruffalo (“Blindness”) e com as vozes de James Gandolfini (“Sopranos”), Chris Cooper, Forest Withaker e Catherine O’Hara. O trailer pode ser visto neste link:
 
A cantora Karen O, autora das músicas do filme
 
 
A banda sonora do filme de 2009 foi composta e interpretada por Karen O, a original vocalista da banda Yeah Yeah Yeahs. A banda sonora recebeu críticas muito positivas, e muitos consideram-na a melhor banda sonora do ano. Foi nomeada para os Globos de Ouro. Pode ver o videoclip de “All is Love” neste link:http://www.youtube.com/watch?v=rAfcBwYuNDU
O filme apresenta também efeitos visuais ao mais alto nível, que justificaram um orçamento pesado de quase 100 milhões de dólares. O primeiro «trailer» mostrava bem o cruzamento de imagem real, animatrónica, animação informática e o tradicional recurso a actores dentro dos fatos das criaturas.
Foi por este motivo que o filme levou muitos anos a ser feito (o projecto apareceu no início dos anos 90): nenhum estúdio acreditava que seria viável fazer um filme tão caro para crianças que não fosse declaradamente infantil ou de animação. Adicionalmente, o filme teve que esperar por evoluções técnicas ao nível das suas exigências de efeitos visuais. 
 
 
O realizador Spike Jonze e o actor Max Records
A produção não foi livre de problemas. O filme foi rodado em 2005 mas a pós-produção levou muito tempo devido à animação das criaturas. Houveram muitas divergências criativas entre Jonze e os produtores, e a sua estreia foi adiada de Maio de 2008 para Outubro de 2008, e acabou por só acontecer em 2009. A certo ponto, a Warner estava tão insatisfeita com o filme que chegou a considerar refilmá-lo na íntegra (!). No entanto, Jonze apagou o fogo através de filmar algumas cenas novas e apresentar uma nova versão.
Tem de se ter em consideração que o livro de Maurice Sendak é um livro de desenhos com pouco texto, imaginado para crianças pequenas. Não é material suficiente para encher uma longa, daí a colaboração de Spike Jonze com o autor para criar uma história ampliada para o cinema.
No final, os temores de estarmos perante um produto pouco comercial vieram a confirmar-se. Devido a ser um filme para crianças atípico, o “Where the Wild Things Are” tem estado abaixo do desejado em termos de bilheteira – nos EUA conquistou apenas 75 milhões de dólares.
A crítica dividiu-se na sua recepção. Muitos elogiaram o valor artístico ao serviço de um filme de crianças e a forma como tenta inspirar o público adulto. Mas outros criticaram o tom negro e o ritmo bizarro que o filme tem, especialmente na hora de agradar o público infantil.
 
 
“Where the Wild Things Are” estreou em Portugal dia 7 de Janeiro de 2010.
José Pedro Lopes

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