Mantendo uma postura igual a si próprio e aos temas que aborda na sua cinematografia, o cineasta britânico Ken Loach recusou receber um dos dois prémios de carreira que o Festival de Cinema de Turim iria entregar na sua próxima edição, a iniciar-se amanhã, 23 de novembro.
Filho de operários, Loach recusou a presença no certame devido à estratégia do Museu Nacional do Cinema, em Turim, instituição ligada ao festival que decidiu, sob alguns protestos, passar a recorrer ao «outsourcing» nas áreas da limpeza e segurança, o que implicou um corte nos salários e o despedimento de alguns funcionários. Segundo Loach, «os trabalhadores com salários mais baixos, os mais vulneráveis, perderam os seus empregos pela sua oposição ao corte nos salários (..) nesta situação, a organização não pode fechar os olhos, mas assumir a responsabilidade pelas pessoas que empregam, mesmo que eles sejam de uma empresa externa. (…) nós fizemos um filme dedicado a este tópico [Bread and Roses]. Como poderia eu negar a solidariedade com os trabalhadores que foram despedidos porque lutavam pelos seus direitos? Aceitar este prémio e confinar-me a alguns comentários críticos seria algo fraco e hipócrita da minha parte.».
Entretanto, o Festival de Turim já comentou a recusa, adiantando que Loach foi mal informado sobre a situação. Com a ausência de Loach, foi também cancelada a exibição no festival de «Angel’s Share», o seu mais recente filme que acompanha um grupo de jovens que estão obrigados a cumprir serviço comunitário mas que decidem elaborar um golpe para roubar uma pipa de Whiskey muito valiosa.

