“O Substituto” é de longe o filme mais interessante numa semana de estreias muito fraca em termos de qualidade – ainda que o filme francês “Está no Ar” também mereça atenção. Obra do ano passado realizada por Tony Kaye, do polémico “América Proibida”, o filme aborda de maneira bastante emocional a realidade do sistema de ensino norte-americano, fazendo eco uma situação que se verifica um pouco por todo lado, Portugal incluído.
Adrien Brody, cujo talento já lhe tinha rendido o Oscar por “O Pianista”, encarna o professor Henry Barthes (referência ao semiólogo Roland Barthes) contratado para substituir por um mês um colega que estava doente (na verdade teve um esgotamento nervoso). Além de lidar com uma turma de alunos extremamente desmotivada e bastante hostil, Barthes está cercado por colegas desmoralizados e uma instituição de ensino degradada. Para agravar, na sua vida pessoal vive às voltas com memórias terríveis e uma situação nova para complicar tudo: num ato de humanismo, tira das ruas uma menina muito jovem que se prostituía.
Conforme declarou ao blog Emanuellevy, a crítica social é mesmo o que Tony Kaye, que tem fama de ser um homem “atormentado”, mais gosta de fazer: “América Proibida” era sobre o racismo, o documentário “Lake of Fire” sobre o aborto, “Black Water Transit, ainda inédito, sobre o meio-ambiente. “Eu quero realizar filmes que façam mais do que entreter”, disse.
Pela mesma cartilha reza Adrien Brody, cujo pai, aliás, também era professor numa escola pública. Na MovieLine ele declarou que a sua procura como ator é direcionada a trabalhos que comuniquem com o público de uma maneira profunda. “Procuro trabalhos com conteúdo e com relevância social”, afirmou. “É claro que não conseguimos isso em todos os filmes e não há nada de errado com o cinema de puro entretenimento. Mas a beleza em encontrar material relevante e com um impacto profundo na sociedade é muito compensador para um artista”, arremata.
É curioso ainda o carácter extremamente pessoal da personagem Meredith, interpretada por Betty Kaye, filha do realizador. Ele relata, com um forte sentido de autocrítica, que abandou a família quando ela tinha apenas cinco anos, o que lhe causou enormes problemas. Ao contrário da personagem que interpreta, no entanto, Betty Kaye sobreviveu às adversidades familiares e tornou-se atriz. “Tive algumas dúvidas ao selecioná-la, não queria ser acusado de nepotismo. Mas ela foi uma escolha perfeita para o papel”, disse. Outro papel central coube a novata Sami Gayle, que tinha apenas 15 anos quando rodou o filme. Um enorme cast com rostos conhecidos completa o elenco.
Adrien Brody entra na produção chinesa “Yi Wu Si Er”, de Xiaogang Feng, que estreia em novembro nos Estados Unidos e na Ásia – filme que protagoniza ao lado de Tim Robbins. Para o ano faz parte de “Inappropriate Comedy”, ao lado de Rob Schneider e Michelle Rodriguez, e “The Third Person”, o novo trabalho de Paul Haggis (“Colisão”) que inclui um elenco de luxo – e inclui Liam Neeson, Mila Kunis, James Franco e Olivia Wilde, entre outros. Sem data ainda está “Motor City”, com Gerard Butler e Mickey Rourke.
Sami Gayle entra em “Stolen”, novo filme com Nicolas Cage ainda sem estreia para Portugal, e “The Congress”, com Robin Wright, Paul Giamatti e Harvey Keitel – a ser lançado em 2013.
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http://www.youtube.com/watch?v=s8AXzFF-bgs
Realização: Tony Kaye
Elenco: Adrien Brody, Sami Gayle, Marcia Gay Harden, Christina Hendricks, James Caan, Lucy Liu, Tim Blake Nelson, Blythe Danner, Bryan Cranston, Betty Kaye. EUA, 2011. {/xtypo_rounded2}

