Béla Tarr assume que o seu trabalho está feito e não realiza mais filmes

(Fotos: Divulgação)

«Tenho a sensação que o meu trabalho está feito». Assim afirmou o cineasta húngaro Béla Tarr numa sessão de perguntas e respostas no Festival de Cinema de Nova Iorque, local onde apresentou o seu mais recente trabalho, «O Cavalo de Turim».
 
«Já não sou um cineasta (…) não há razão para repetir nada, nenhuma razão para efectuar cópias desta linguagem e destas sensações, pois quero proteger o meu trabalho, até de mim próprio. E realmente quero vos oferecer isto. Nós criámos, aceitem ou deixem. E é isso. Já chega para mim». Ainda durante a sessão de questões, Tarr adiantou que tenciona abrir uma escola de cinema na Croácia.
 
Recordamos que «O Cavalo de Turim» será distribuído em Portugal pela Midas Filmes, não havendo porém uma data para a sua estreia (2012 é quase uma certeza). A obra, que estreou no Festival de Berlim, tem sido referida como um dos melhores trabalhos de Tarr e muito aplaudida pela crítica:
 
O c7nema viu o filme em Berlim, e deixa aqui as palavras do nosso colega Paulo Portugal sobre ele:
«São mais de 2 horas e meia de um cinema denso e hipnotizante que descreve, uma vez mais com uma magnífica fotografia a preto-e-branco, o quotidiano de cinco dias na vida de um cocheiro, a sua filha e um cavalo ao longo de uma paisagem desoladora e ventosa. Sabemos na legenda inicial que se trata do trio de personagens que presenciou a cena em que o filósofo alemão Friedrich Nietzsche abraçou o cavalo imóvel que estava a ser chicoteado pelo cocheiro. Um episódio que o afectou e o terá deixado enfermo durante dez anos. O filme retoma esse momento imediato, deixando-nos envolver no minimalismo dos gestos e da música estonteante. Passa por aqui a essência do cinema.» Classificação: ★★★★★
 
 
Jorge Pereira 

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