Já se conhece o enredo de «Sadako 3D», mais uma sequela de «Ringu» ( A Maldição)

(Fotos: Divulgação)

  

Em Fevereiro deste ano ficámos a saber que a produtora japonesa Kadokawa Pictures decidiu voltar à saga «Ringu» ( A Maldição).

O novo filme chamar-se-á  «Sakado 3D» e o argumento será da autoria de Koji Suzuki, autor da série de livros que esteve na origem deste clássico do terror oriental.

Neste novo filme seguimos Akane, uma professora que escuta o rumor que os seus alunos têm em seu poder o vídeo com o suicídio de uma pessoa. Mas aparentemente quem vê o vídeo também morre, o que vai complicar as coisas. Quando um dos seus alunos é a vítima, caberá a ela e ao seu namorado descobrirem o que está por trás de tudo. Mas aquilo que vão confrontar vai para além dos limites da razão, e brevemente eles terão de confrontar com o autor do vídeo, Kashiwada, e com Sadako, que regressa para mais uma maldição.

«Sadako 3D» chega aos cinemas em 2012.

 

Sobre «Ringu»
 

Este foi o primeiro filme realizado a partir da obra de Koji Suzuki. Realizado por Hideo Nakata e com um argumento de Hiroshi Takahashi, o filme apresenta pela primeira vez no cinema a história de Asakawa Reiko (Matsushima Nanako), uma repórter que após a estranha morte da sobrinha parte para uma investigação ao qual está ligado um potencial mito urbano.

Ao que parece, e segundo testemunhos de jovens amigos da sobrinha de Asakawa, existe uma videocassete que após ser visionada leva à morte (passados sete dias) de quem a viu.

Mito urbano ou não Asakawa parte em busca da realidade e acaba por descobrir que no mesmo dia que a sua sobrinha faleceu, três amigos desta morreram também.

Acima de tudo este filme é um triunfo na forma que apresenta o terror. O passo lento e a natureza das imagens que surgem no ecrã são extremamente ligeiros e a destreza da acção não é semelhante aos dois remakes que foram realizados subsequentemente. Assim, se na versão americana tem de estar sempre algo a acontecer, e no coreano existem pontos que se prendem demasiado à obra literária e ao mesmo tempo incongruências que acalmam o passo, a versão japonesa do filme é ostensivamente dispersa e se não há nada que tenha de ocorrer então assim acontece.

Em primeiro lugar a separação da obra cinematográfica com o livro é notória. Alteraram-se os protagonistas (de colegas de escola, para um casal) e isso veio trazer uma maior tensão e ligação entre as personagens e os conteúdos dramáticos que posteriormente ocorrem.

Depois o trabalho com a imagem é mais paranormal que visual (na versão americana) e ao contrário da última versão da película não há aquele cliché de ter de explicar tudo muito direitinho, ou seja; há um maior campo de manobra. A diferenças na história são algumas.

 Neste filme é muito mais notória a relação entre Asakawa Reiko, o seu filho e o seu pai. Um dos pormenores que saltou do original para a versão americana foi a das caras distorcidas. Faz lembrar um pouco a saga Omen em que a vítimas pareciam marcadas. Porém pode haver outra explicação. Tratando-se de um “vírus” que se espalha de cassete para o indivíduo poderá haver algum tipo de electromagnetismo envolvido na história. Isto faz também um pouco lembrar o filme de Cronemberg Videodrome . A verdade é que Ringu é o filme que puxa muito mais ao sentimento e em que as personagens são muito mais “ricas” nas relações e na sua exposição ao espectador.

Nessa busca incessante pelo que está por trás das imagens da videocassete, a jornalista descobre que está tudo nela e é aí que descobre a maior pista para o caso, a ilha.

A videocassete também dois tipos de imagens: as concretas e abstratas, mas nela estão directamente as recordações de sadako. Em qualquer um dos três filmes Ring, estas imagens variam, mas a base é sempre a mesma. O apelo.

Na ilha, a jornalista vai descobrir então toda a verdade. O que levou sadako a “criar” esta videocassete. Que pretende ela com isso e cima de tudo o que lhe aconteceu.

Mas se pensa que após a descoberta tudo fica deslindado, engane-se… O twist final e principalmente os factos que vão ocorrer em Ringu 2 demonstram bem que o final do problema está bem longe.

 

Jorge Pereira 

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