O cineasta franco-polaco Roman Polanski vai finalmente receber a distinção pelo conjunto da sua obra no Festival de Cinema de Zurique, na Suíça. A homenagem tem lugar exactamente dois anos depois do previsto, dado que em 2009 o realizador foi detido ao chegar àquela cidade para estar presente no certame.
A detenção de Polanski resultou num período de dez meses de prisão domiciliária. Durante esse exílio, foi filmado “Roman Polanski: A Film Memoir”, um documentário de autoria de Laurent Bouzereau, e que será igualmente apresentado no certame helvético. Neste filme, o realizador promete contar o seu lado da história.
Recorde-se que até hoje o realizador é considerado um fugitivo pela justiça norte-americana, onde tem um mandado de captura desde 1978. Neste mandado, Polanski era indiciado por ter uma relação de cariz sexual com uma menor de apenas 13 anos de idade.
O realizador chegou a ser detido pelas autoridades norte-americanas logo em 1978, mas ao sair sob fiança fugiu dos Estados Unidos, e exilou-se em França onde se manteve em actividade.
Desde o seu exílio foi nomeado duas vezes ao Oscar de Melhor Realizador em 1981 por “Tess”, e em 2002 por “The Pianist”, que acabou por vencer sem no entanto ter estado presenta na cerimónia.
A vida do realizador foi desde sempre marcada por polémicas e tragédias. A família de ascendência judia foi perseguida durante a II Guerra Mundial e a sua mãe acabou por ser uma das vítimas do campo de concentração de Auschwitz. Em 1969, e já com algumas obras consagradas, como “Rosemary’s Baby”, a sua esposa Sharon Tate, grávida de oito meses, foi brutalmente assassinada pela seita liderada por Charles Manson.
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Carla Calheiros

