Isabel Coixet filma documentário sobre a morte do Mar Aral

(Fotos: Divulgação)

A consagrada cineasta espanhola Isabel Coixet apresentou em San Sebastian, durante o Festival de Cinema local, a decorrer desde a passada sexta-feira, um documentário que aborda o recuo do Mar Aral (ou Mar das Ilhas) – localizado na Ásia Central, entre as províncias cazaques de Aqtöbe e Qyzylorda (ao norte), e a região autónoma usbeque de Caracalpaquistão (ao sul).

O outrora quarto maior lago do mundo, com 68 000 km² de superfície e 1100 km³ de volume de água, mas que em 2007 já se havia reduzido para apenas 10% de seu tamanho original, e em 2010 estava dividido em três porções menores, em avançado processo de desertificação.

Para além de elementos ligados ao clima, como o aumento das temperaturas, este Mar tem vindo a morrer aos poucos devido ao desvio dos rios que o sustentavam para servirem de rega a diversas plantações, especialmente de algodão.

Os efeitos na região tem sido dramáticos. A outrora próspera indústria pesqueira foi praticamente destruída, provocando o desemprego e diversas dificuldades económicas na população.
A região também foi fortemente poluída, com graves problemas de saúde pública como consequência (aumento de bronquites, artrites e cancro do fígado). O recuo do mar também já teria provocado a mudança climática local, originando Verões cada vez mais quentes e secos, e Invernos mais frios e longos.

“Aral, the Lost Sea” tem a narração de Sir Ben Kingsley e a banda-sonora de Tim Robbins. Relembramos que a cineasta já tinha trabalhado com os dois actores em ‘Elegy’ e ‘La vida secreta de las palabras’, respectivamente.

Para Coixet é impossível recuperar o Mar como ele era, por isso este documentário serve como ensinamento para o futuro, ‘para conseguir dinheiro para a Fundação We Are Water e para os projectos desta no Mundo.
As filmagens do documentário de 25 minutos foram executadas por três pessoas durante um mês no Uzbequistão.

Jorge Pereira

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