O Canadá submeteu “Universal Language” na corrida ao Oscar de Melhor Filme Internacional.
Com filmes como “The White Balloon” de Jafar Panahi como inspiração, em “Universal Language” – comédia conceptual de toada surrealista que nos faz mentalmente viajar entre o Irão e o Canadá- encontramos crianças numa missão que são arrastadas para os caprichos do mundo dos adultos. E neles temos um guia turístico que orienta turistas confusos em Winnipeg; e um homem que se despede do seu emprego e vai visitar a mãe.
“A razão que me levou derradeiramente a querer fazer este filme e usar a linguagem cinematográfica do meta-realismo e filmar tudo em persa, emergiu do material que fui juntando.”, explicou Matthew Rankin ao C7nema em Cannes, onde o filme foi exibido na Quinzena de Cineastas. “A minha avó contou-me uma história, durante a Grande Depressão, no Canadá, em que as pessoas viviam na extrema pobreza. Um dia, no Inverno, ela e o irmão encontraram uma nota de 2 dólares congelada num passeio de Winnipeg e entraram numa aventura para a conseguir resgatar. Esta história acaba por ser a que encontramos no filme. Sempre gostei muito dela. Tinha mistério, aventura e fazia-me lembrar muito dos filmes iranianos que falei, em particular “The White Balloon”, de Jafar Panahi. Bem, decidi então fazer essa história através do meta-realismo, mas a ideia inicial era filmar em inglês. Porém, isso esbarrava com a ideia de usar a câmara como o cinema iraniano o faz, num jogo entre espaço, tempo e geografia. Fazer o filme em persa tornou-se óbvio e, como tenho imensos amigos iranianos, aproveitei para fazer uma espécie de filme comunitário“.
Recorde-se que vários filmes do Canadá conseguiram chegar à nomeação final ao Oscar de Melhor Filme Internacional, em épocas em que a categoria ainda se denominava Melhor Filme Estrangeiro, estando entre eles “War Witch” de Kim Nguyen (2013); “Monsieur Lazhar” de Philippe Falardeau; ”Incendies“, de Denis Villeneuve (2011); e “Water” de Deepa Mehta (2007). Até agora, “As Invasões Bárbaras“, de Denys Arcand, continua a ser o único filme canadiano a ganhar o Óscar, em 2004, enquanto “O Declínio do Império Americano” e “Jesus de Montreal“, do mesmo realizador, receberam igualmente nomeações em 1987 e 1990, respetivamente.

