Com o Festival de Berlim a aproximar-se do seu final, “Silver Haze” e “Infinity Pool” atraíram atenções, não apenas pelas suas narrativas arrojadas, mas pela ousadia em mostrar cenas de sexo que fizeram a imprensa questionar o novo papel (se é que existe) dos coordenadores de intimidade, figuras que começaram a impor-se no pós #metoo, particularmente nos países anglo-saxónicos.
Sobre essa questão, a atriz Mia Goth, que vemos no novo filme de Brandon Cronenberg em diversas cenas tórridas, percebe a utilidade destas novas figuras na produção cinematográfica, mas acrescentou que no seu caso pessoal eles apenas estendem um pouco mais o processo. “Prefiro fazer logo e despachar as coisas, ao invés, com eles o processo é mais moroso“. A mesma opinião tem a atriz Vicky Knight, que garantiu que as suas cenas mais picantes no filme de Sacha Polak não tiveram qualquer coordenador de intimidade. “Não tivemos, era uma pequena produção. Na verdade, quem me dera filmar cenas de sexo todos dias“, explicou a britânica por entre risos.
Apesar de “Silver Haze” não ter contado com esses coordenadores, Polak admite que se tornaram figuras omnipresentes nas filmagens das grandes produções, como a sua adaptação de “Hanna” para a Amazon e uma série limitada de época que também filmou recentemente para a plataforma. “É uma obrigação, eu sei, mas não quero que interfiram no processo criativo. Na verdade, odei-os e fico muito irritada com eles“, disse Polak.
Já Brandon Cronenberg, que tem no seu filme algumas cenas de sexo que envolvem múltiplas personagens, admite que esta foi a primeira vez que contou com esses coordenadores em cena, mas que neste caso o ajudaram trabalho. O ator Jalil Lespert admitiu igualmente que foi a primeira vez que trabalhou com eles, lembrando que no cinema francês esta obrigatoriedade norte-americana não existe.
O Festival de Berlim prolonga-se até dia 26 de fevereiro.

