Fundador do Teatro Cornucópia, com Luís Miguel Cintra, e dos Artistas Unidos, que dirigia atualmente, Jorge Silva Melo faleceu esta segunda-feira, 14 de abril, no Hospital da Luz, vítima de doença oncológica.
Encenador, ator, cineasta, dramaturgo, tradutor e crítico, Jorge Silva Melo nasceu em Lisboa a 7 de agosto de 1948. Passou a infância na antiga cidade de Silva Porto, em Angola, voltando a Lisboa com a família no início da adolescência, onde frequentou o Externato Marista e completou os estudos secundários no Liceu Camões. Aos 15 anos, já escrevia sobre cinema no suplemento juvenil do Diário de Lisboa.
Depois de abandonar os estudos de Filologia Românica, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde também integrava o Grupo de Teatro de Letras, partiu para o Reino Unido com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Frequentou a London Film School, onde obteve um diploma em realização.
Regressado a Lisboa, fundou com Luís Miguel Cintra o Teatro da Cornucópia em 1972, o qual integrou até 1979, mas voltou a sair do país, estagiando em Berlim junto de Peter Stein e em Milão junto de Giorgio Strehler.
Presente como ator em obras de João César Monteiro, João Botelho e Paulo Rocha, Silva Melo estreou-se em 1980 como realizador com o filme “Passagem – Ou a Meio Caminho“. Seguiram-se várias outras ficções, como “Ninguém Duas Vezes“, “Agosto” e “Coitado do Jorge“, mas também documentários, “mais jornalísticos que cinematográficos“, como “Palolo, Ver o Pensamento a Correr“, “Joaquim Bravo, Évora, 1935, etc, etc, Felicidades” e “Sofia Areal: Um Gabinete Anti-Dor.”
Fundou em 1995 a Artistas Unidos, companhia que dirigiu até à sua morte e para a qual encenou dezenas de peças, a começar pelo seu “António, Um Rapaz de Lisboa“, no ano inaugural da companhia.
Atualmente, preparava-se para estrear, a 23 de março, a encenação de “Vida de Artistas” de Noël Coward. “Ah, como eu gosto de Noël Coward. Como quem ‘não quer a coisa’, com um brilho único, anda connosco há quase um século, despistando, contrariando ideias feitas, na curva da História. Frívolo? Ou realmente profundo? Fantasista ou realmente realista? Olha: teatral, aposto“, escreveu sobre a peça.

