Realizador, crítico de cinema e ensaísta com mais de cinco dezenas de obras publicadas, Lauro António morreu esta manhã, 3 fevereiro, na sua casa, em Lisboa, aos 79 anos.
Nascido em Lisboa, a 18 de agosto de 1942, Lauro António começa a escrever sobre cinema ainda muito jovem, em Portalegre, regressando à capital para finalizar o liceu e estudar na Faculdade de Letras (em 1961), onde se licencia em História. Membro do Cineclube Universitário de Lisboa e do ABC, Lauro António torna-se crítico de cinema no jornal ‘República’ (1963-1967), seguindo-se colaborações com a revista ‘Plateia’, o ‘Diário de Lisboa’ (1967-1975), a revista ‘Opção’ (1977-1978), o ‘Diário de Notícias’ (1976-1986), “A Capital” e ‘Se7e’.
Pelo caminho, começa a fazer cinema em 1971, com “Grande Grande Era a Cidade”, mas a sua primeira obra na realização chegaria apenas em 1975, com as curtas-metragens “Prefácio a Vergílio Ferreira” e “Vamos ao Nimas“. Realizou em 1980 a adaptação do romance “Manhã Submersa“de Vergílio Ferreira, seguindo-se quatro telefilmes (1983) , e “O Vestido Cor de Fogo” (1985), baseado na obra homónima de José Régio.
Autor de vários programas de cinema na rádio (RDP, Rádio Comercial, Rádio Clube Português, Antena 2), autor e encenador de teatro (A Encenação, etc.), Lauro António foi ainda director de programação das salas de cinemas de arte e ensaio (Apolo 70, Caleidoscópio) e diretor de diversos festivais de cinema (Festival Internacional de Lisboa, Festroia, etc).
Na imagem coletiva ficou ainda a paródia que Herman José lhe dedicou no programa Herman Enciclopédia, através da personagem de Lauro Dérmio.
Nos últimos anos, Lauro António dedicava-se ao ensino universitário e, no ano passado,inaugurou em Setúbal a Casa das Imagens, projeto que resultava da doação quefez à Câmara Municipal de Setúbal de cerca de 50 mil artigos ligados ao cinema.

