Oscars: as nossas previsões e considerações

(Fotos: Divulgação)

 

Esta noite, o Mundo ficará a conhecer quem serão os melhores de um ano cinematográfico, segundo a Academia das Artes…… La La Land? Moonlight? Quem levará a tão cobiçada estatueta? 

Jorge Pereira

Filme: As minhas preferências vão para Arrival e Hell on High Water, mas a vitória deve sorrir a La La Land, um objeto cinematográfico mais em conta com os padrões clássicos de Hollywood. Arrival merecia porque, para além de muito bem filmado, incute um discurso intelectual sobre a natureza humana e o medo e reacção ao desconhecido (estes extraterrestres são meros imigrantes planetários). Já Hell é mais clássico na abordagem a uma pequena família de criminosos, mas por trás tem os condimentos de um Robin Hood egoista e a política de crédito capitalista. Dois filmes que são bem mais que meros trabalhos no género.
 
Realizador: Tal como acima, ganha La La Land, mais propriamente Damien Chazelle, mas o prémio devia ir para Denis Villeneuve. Á espreita colocava também  Barry Jenkins por Moonlight.
 
 
Atriz: Não me parece que Emma Stone seja a vencedora. Nas interpretações, mais do que nas outras categorias, os membros da Academia preferem normalmente nomes mais familiares e Emma ainda tem de palmilhar muito caminho para isso, por isso diria que o prémio vai para Natalie Portman, embora – normalmente – os atores estrangeiros tenham alguma força para conquistar estas estatuetas quando são nomeados (Jean Dujardin, Marion Cottillard, Alicia Vikander). Aí entramos no campo de Isabelle Huppert, claramente a mais merecedora da estatueta e que seria naturalmente a minha escolha.
 
Ator: Casey Affleck seria uma escolha quase certa da Academia, mas alguns sectores desta não perdoam o escândalo sexual em que se envolveu há uns anos atrás e que ressurgiu nesta temporada. Segue-se então Denzel Washington, como o nome mais provável, a não ser que surja um Adrien Brody (O Pianista), que no meio de uma luta quase resumida a dois entre Daniel Day-Lewis (Gangs de Nova Iorque) e Jack Nicholson (About Schmidt) intrometeu-se e ganhou mesmo. Talvez  Viggo Mortensen seja o novo Adrien Brody e seria a minha escolha, mas se Denzel ou Affleck ganharem, o mal não vem ao mundo.
 

 

Paulo Portugal

Filme: Há muito que os oráculos assumem como certa a vitória de La La Land. Quem somos nós para contestar? De resto, o filme tem sido insistentemente selecionado pelas mais diversas (e seguidistas) organizações de críticos americanos. Ainda que mal se perceba, já que o musical retro de Chazelle nunca sai de um registo apenas eficiente. Mas desde o bruá sentido sem Veneza ecoado depois em Toronto e um pouco por todo o lado, percebemos que eram favas contadas. No entanto, quem ousar ler os usuários e leitores de sites ficará com outra impressão. La La La, o rei Óscar vai nu? Parece-nos que sim.
 
Por uma questão de rigor, entre os nove selecionados foi Lion que mais nos fascinou. Fortíssima a história verídica, dividindo a meias um filme indiano de forte componente realista com uma história de procura onde quase tudo está bem. Até mesmo a comovente parte final. 
 
Ator: Dos selecionados, apenas Casey Affleck, Viggo Mortensen e Dezel Washington parecem ter tocado as notas interpretavas merecedoras de tal estatuto. Já que Ryan Gosling e Andrew Garfield parecem levados num andor que não lhes pertence. São ambos rostos relegados para papéis de ‘boneco’.
 
 
Atriz: Do lado delas, a coisa pia mais fino. Sendo que Huppert é aquele que mais espessura dá à sua personagem. Ruth Negga não tem talvez a dimensão que um papel da sua natureza mereceria, ao passo que Portman, sempre favorita, se deixe ir demasiado num mimetismo forçado. De miss Meryl é sempre difícil fazer mal, embora miss Stone fique aquém do empenhado esforço. 
 
Realizador: Ganha o Chazelle. De caras. É talvez o melhor prémio que o filme possa ter, para além, talvez, da banda sonora engraçadota. Se bem que as aulas de sequências inspiradas em outros tantos musicais lhe retirem algum rasgo. É claro que numa noite ‘negra‘ Barry Jenkins poderia dar um ar da sua graça e levar a estatueta pelo conseguido e autoral Moonlight. Mas para isso está lá a negritude dos secundários…
 

 

 

André Gonçalves

Filme:La La Land” tem este Oscar segurado. “Moonlight” tem a cartada política do seu lado (logo um filme sobre um negro E gay, matando-se assim dois coelhos de uma rajada), e muita tem sido a pressão mediática nos últimos dias “anti-La La Land” e “pró-Moonlight“. Pessoalmente, acho estes artigos lastimáveis. Não nos iludamos – são ambos filmes da mesma farinha, da mesma máquina “indie” que produziu melhores exemplos num passado ainda muito recente. “Arrival“, uma lufada de ar fresco nos nomeados, seria um justo vencedor – dado que o melhor filme americano da temporada, “20th Century Women“, não está sequer neste lote de eleitos. Vai ganhar: “La La Land“. Devia ganhar: “Arrival“.
 
Realizador: Tal como “La La Land” conquistou já a associação de produtores norte-americanos, Damien Chazelle ganhou também já o prémio da associação dos realizadores norte-americanos, assim como inúmeros outros prémios, portanto, o Oscar será dele também, a não ser que tenhamos aqui uma das surpresas da noite, e uma vontade de dividir equitativamente os prémios principais (indo nesse caso o Oscar para Barry Jenkins por “Moonlight“). Dos cinco nomeados, outra vez apenas Villeneuve reune o meu respeito profundo pelo que conseguiu em “Arrival“. Volto a repetir então aqui o meu prognóstico. Vai ganhar: Damien Chazelle. Devia ganhar: Denis Villeneuve 
 
Atriz: Os prognósticos dirão que Emma Stone tem ainda uma vantagem sobre Natalie Portman ou Isabelle Huppert, tendo ganho BAFTA, Screen Actors Guild e Globo de Ouro (o último a perder com estes três foi Russell Crowe por “Uma Mente Brilhante“). Mas não me parece a mesma vantagem que tinha, por exemplo, Jennifer Lawrence (“Guia Para Um Final Feliz”) sobre Emmanuelle Riva (“Amor“). Aliás, Huppert não era elegível para o BAFTA por “Ela” (só por “O Que Está Por Vir“), e muitos, inclusivé eu, acreditariam que ela teria o prémio dos britânicos no papo. 
 
 
Huppert tem feito uma campanha feroz em conjunto com a Sony Pictures Classics (distribuidora do filme “Ela“) e não é portanto por falta de campanha que perderá, mas sim por antipatia em relação ao seu papel peculiar na obra-prima de Paul Verhoeven. A atriz francesa, de 63 anos, tem-se revelado omnipresente nas cerimónias de entrega de prémios, e este será um daqueles casos em que vou seguir o meu instinto, e dizer que este será o ano em que a “veterana” triunfará sobre a “ingénua“. Vai ganhar: Isabelle Huppert, “Elle”. Devia ganhar: Isabelle Huppert, “Elle”.
 
Ator: Inicialmente, ao vencer inúmeros prémios da crítica, acreditaríamos que quem estaria imbatível na luta seria Casey Affleck, pela sua performance dita “subtil” no “Manchester by the Sea” de Kenneth Lonergan. Mas Denzel Washington começou a ameaçar com a sua vitória entre os seus pares (Screen Actors Guild), e no ano dos “negros” a combater o #OscarsSoWhite do ano passado, revela-se aqui uma alternativa bastante tentadora (a fazer par com a mais que previsível vencedora do Oscar de Melhor Atriz Secundária Viola Davis) – sobretudo quando Affleck não possui quer o carisma nos discursos, quer a aparente inocuidade (Affleck tem ainda o escândalo não totalmente abafado de assédio sexual a duas das suas colegas) e a popularidade do próprio Washington. 
 
Mortensen por “Capitão Fantástico” tem para mim, das performances que pude assistir, o desempenho mais exigente e mais eficaz na figura de um pai de uma família numerosa que decide levar os seus ideais até ao extremo. Vai ganhar: Denzel Washington, “Vedações“. Devia ganhar: Viggo Mortensen, “Capitão Fantástico”.
 

 

Hugo Gomes

Filme: Julgo que o prémio mais cobiçado da cerimónia sairá para “Moonlight“, somente por questões politicas, visto que a obra de Barry Jenkins aborda uma minoria que tende em ser desprezada neste tipo de prémios. Outro factor, tem sido a fustigação que La La Land, outrora favorito ao prémio máximo, recebe diariamente da imprensa que em tempos o fez tornar num dos favoritos da noite. A má publicidade não dá tréguas.
 
Não encontro nenhum dos nomeados que mereça o título de Melhor Filme, este ano, sobretudo, os escolhidos estão muito aquém do melhor que Hollywood já produziu e dois deles, bem poderiam figurar na lista de piores do ano. Esses são Hacksaw Ridge, o embuste bélico de Mel Gibson. É estranho para uma cerimónia preocupada em statment políticos decide nomear um filme que propaga uma mensagem de ódio, e Arrival, que evidencia um argumento “frankenstein” e pouco coeso. Merecedor? O meu favorito da lista é aquele que tem menos probabilidades de vencer, Hell or High Water, um anti-western que exorciza uma América à deriva.
 
 
Realizador: Barry Jenkins e o seu Moonlight vão levar o prémio desejado desta noite. Mas Damien Chazelle também tem as suas hipóteses, e diga-se por passagem, o seu trabalho em La La Land é merecedor de tal estatueta. Enquanto isso, Mel Gibson entre os nomeados é um dos grandes mistérios do cinema recente.
 
Ator: Denzel Washington levará o prémio esta noite, tudo porque o caso de assédio sexual mal abafado poderá prejudicar a “glória” de Casey Affleck, visto como o grande favorito. Este último não era uma má escolha, até porque o underacting é diversas vezes subvalorizado para a Academia. Também não ficaria desolado em ver o prémio a seguir para as mãos de Viggo Mortensen, o melhor num filme completamente ingénuo.
 
Atriz: Emma Stone brilha em Hollywood, e este adora premiar “sangue novo“, porém, Isabelle Huppert tem a sua fatia de hipóteses. Quanto a méritos, Huppert é o único Óscar de interpretar que desejo ver a ser atribuído. A atriz francesa tem sido implacável no seu empenho num filme tão ousado para o panorama politicamente correto que se vive.

 

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