Philippe Garrel acusado de assédio por cinco atrizes

(Fotos: Divulgação)

Numa investigação conduzida pela Mediapart, cinco atrizes alegam que o realizador francês Philippe Garrel, atualmente com 75 anos, fez avanços indesejados ou ofereceu papéis para os seus filmes em troca de favores sexuais.

Garrel, que mantém a sua inocência, disse ao Mediapart que nunca beijou uma mulher contra a sua vontade”, que tudo não passou de “sentimentos mal interpretados“, frisando que nunca deu “falsas esperanças profissionais a uma atriz com o objetivo de seduzi-la”. O cineasta falou ainda de uma “tomada de consciência” pela “diferença” entre o que pensou sobre esses momentos e o que viveram as atrizes

Uma das acusações vem de Anna Mouglalis, que atuou em “Ciúme” (2013). A atriz disse ao Mediapart que convidou o cineasta para ir ao seu apartamento para discutir um projeto sobre o “desejo feminino”, mas encontrou-o deitado na sua cama. Ela imediatamente chamou um táxi, mas disse que achou esse comportamento “insultuoso”, apelidando-o mesmo de “uma caricatura de misoginia e machismo básicos”. Questionado sobre esta situação pela Mediapart, Garrel negou qualquer atitude invasiva e explicou que se sentiu mal na casa da atriz.

Já Clotilde Hesme, que atuou em “Os Amantes Regulares” (2005), ao lado de Louis Garrel, alega que o cineasta a “humilhou” durante as filmagens, apelidando-a de “incesto”, já que, diz ela, “a história de amor era entre o filho dele e eu”.

Outra acusação veio da atriz Laurence Cordier, que disse que conheceu Garrel para discutir um papel e este ofereceu-lhe um quarto de hotel para os dois. “Em vez de aceitar o papel, acabei recusando”, explicou. O cineasta disse ao Mediapart que “não se lembra de nada específico” desse episódio, mas acrescenta: “Se a Laurence Cordier se sentiu humilhada, peço desculpa”.

Viajando até 1994, o realizador teria se oferecido para escrever um papel para uma das suas alunas do Conservatório, Marie Vialle. Garrel e Vialle tiveram vários encontros profissionais, incluindo um em que Garrel alegadamente tentou beijá-la e disse-lhe que não podia fazer o filme sem dormir com ela. Ela recusou os avanços, vindo apenas a trabalhar com o realizador em “Le vent de la nuit“, de 1999. Sobre essa situação, Garrel argumentou ter sentimentos sinceros em relação a Vialle: “Lembro-me de ter explicado que, como muitos realizadores da Nouvelle Vague, gostava de filmar com a mulher por quem estava apaixonado. Posso ter tentado beijá-la, não me lembro, mas ela certamente rejeitou-me, pois foi justamente nesse almoço que percebi que ela não estava nada atraída por mim”.

Outra atriz, que pediu para permanecer anónima, também contou à publicação uma história semelhante sobre como recusou os avanços indesejados do cineasta, primeiro quando ele a convidou para uma reunião num quarto de hotel, e depois num café em Paris quando o encontrou para discutir um papel.

Fruto tardio da Nouvelle Vague, o veterano realizador já foi premiado em Cannes, Berlim e Veneza. O seu último filme foi “Le grand chariot“, ainda inédito em Portugal.

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