
Estranho paradoxo, mas vamos por partes. Em “The Escapist” seguimos Frank (Brian Cox), um homem condenado a prisão perpétua que descobre que a sua filha teve uma segunda overdose. Ao saber disto, ele decide que tem de sair e engendra um plano com mais alguns elementos de maneira a escapar da prisão.
Frank é uma personagem complicada de avaliar e Brian Cox é perito em dar vida a personagens assim. Quase não sabemos nada sobre si mas até gostamos dele. Já em filmes como “Manhunter” (onde era o serial Killer Hannibal Lector) ou “L.I.E. (onde era um pedófilo), a forma como actua, muitas vezes só por meras expressões, instigam em nós reacções adversas àquilo que seria apropriado. Em “The Escapist” ele até podia ser um terrível violador, ou assassino, o certo é que não sabemos e por isso mesmo, longe da razão que o faz estar ali, e conhecendo apenas o que vemos, simpatizamos com ele facilmente e desejamos que escape daquela prisão.
O mesmo já não se passa com as restantes personagens. Todas elas parecem ser meros figurantes, num filme que Cox carrega às costas até ao estranho twist final – raro em filmes desta índole.
Joseph Fiennes, Seu Jorge e restante elenco andam pelo filme, mas tanto estão eles como podiam estar outros quaisquer.
Por outro lado, e se o filme tenta escapar aos clichés convencionais do típico filme de fuga da cadeia, acaba por cair noutros, ainda que fora do seu género.
A opção por apresentar o filme a dois tempos, um presente em que os homens estão em fuga, intervalado por acções passadas que explicam os preparativos da fuga, tornam o filme desritmado. Ou seja, quando estamos ligeiramente tensos por uma situação na fuga, regressamos atrás e a adrenalina é sustida. Já o tal twist final não salva essa inércia. Bem pelo contrário, pois tenta dar-lhe uma outra dimensão que a meu ver não assenta muito bem.
De qualquer maneira, este é um filme de difícil leitura e impossível de tratar de forma simplista. O certo é que no meio de todos estes factos, “The Escapist” nunca consegue passar de um nível para o outro, permanecendo sempre num estado morno e sem nunca realmente assumir um estatuto de brilhantismo que bem poderia alcançar.
Um apontamento final para a banda-sonora deste filme. O trabalho de Benjamin Wallfisch é surpreendentemente bom, de tal maneira que acredito que seja futuramente requisitado para maiores produções, pois o principal tema é de tal forma energético e marcante que 5 dias depois ainda ecoa na minha mente…

