“Bellini e o Demónio”, por Gustavo Leal

(Fotos: Divulgação)
No primeiro fim-de-semana do Fantas, uma retrospectiva recheada de cinema luso-brasileiro trouxe até ao Porto ‘Bellini e o Demónio’ do brasileiro Marcelo Galvão.

Marcelo Galvão começou a carreira como criativo e mais tarde como realizador em diversas agências publicitárias, mas cedo mudou-se para os Estado Unidos onde estudou realização na New York Film Academy .

Este é um dos mais promissores e premiados realizadores brasileiros, tendo já no seu currículo quatro longas-metragens, estando mais uma em pré-produção.

Produtor, argumentista e realizador, como deveriam haver muitos no cinema português,  Marcelo não espera por subsídios governamentais ou particulares, procurando sempre realizar longas-metragens independentes, com o mínimo de recursos possíveis, como no caso de “La Rina” (a sua última longa metragem) com a participação de uma grande quantidade de técnicos ainda estudantes de audiovisuais, formados numa escola que ele criou para o efeito.

Os resultados são uma obra que mistura diversos géneros cinematográficos, onde o humor, o drama e o crime se interligam com uma abordagem que nos faz lembrar o cinema novo de Glauber Rocha, na forma como produz e realiza – com a sofisticação do cinema americano, e na maneira como escreve os seus filmes.

Um realizador a acompanhar.


Bellini e o Demonio

Remi Bellini, um detective a beira da falência, é incumbido de procurar um livro misterioso que está na origem de uma série de assassinatos brutais. Bellini dominado pelo demónio, perde a noção da realidade, enquanto a série de assassínios misteriosos se adensa e ele se revela incapaz de solucionar o mistério.

O filme começa de uma forma alucinante, dificultando ao espectador a sua compreensão e só a meio é que percebemos as personagens e a história. Um filme brasileiro, mas estranhamente americano e bastante sofisticado na sua forma de contar a narrativa, onde se denota ia nfluência de um bom film noir (talvez até o possamos inclusivamente dizer que se trata de um filme neo-noir), nunca perdendo as raizes da escola brasileira.

Adaptado a partir do romance policial homónimo escrito por Tony Bellotto, editado em Portugal pela Quetzal Editores, a segunda longa-metragem do realizador Marcelo Galvão conta com elenco notável; de onde se destaca o actor brasileiro Fábio Assunção.

Este é o segundo filme de uma saga, existindo uma primeira obra de 2001 chamada “Bellini e a Esfinge”, cuja visualização seria recomendada de forma a compreender melhor o inicio do filme,  ter uma maior familiaridade com as personagens e perceber que algumas delas aparentemente estão a mais na história.

De qualquer forma, este é um produto a visualizar, pois tem bons actores, uma boa direcção de fotografia e quando compreendemos a história ficamos apaixonados pelos seus mistérios, pelas suas mulheres sensuais e por um detective fora do comum.

Esperemos então para breve o terceiro filme da série, o qual ainda não sabemos se irá ou não avançar.

 
6/10
Gustavo Leal

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