EFF 09 – “Petit Indi’, um bom filme de competição que começa a criar interesse dentro do circuito

Arrancamos já com um filme em competição, “Petit Indi’ de Marc Recha,  realizador espanhol mais conhecido no circuito dos festivais que propriamente no mercado das audiências. É a primeira vez que o realizador está presente no festival e com um bom filme, no seguimento dos seus últimos trabalhos, “Dies d’Agost“ de 2006 e “Les Mains Vides“ de 2003.

O realizador segue um jovem sonhador, Arnau, que vive num dos piores subúrbios de Barcelona, Valbona, com a irmã já que a mãe está presa. A premissa do filme está na vontade de Arnau em libertar a sua mãe enquanto cria pássaros numa barraca por trás da sua casa. Com um cenário digno de qualquer bairro de suburbios em qualquer cidade, Arnau deambula por prédios velhos , decadentes e rios poluídos, sonhando com uma vida melhor  e demonstrando uma personalidade introvertida. Tudo começa a mudar quando um dia encontra uma raposa ferida e decide tomar conta dela, enquanto procura angariar dinheiro para contratar um advogado para libertar a sua mãe.

Utilizando os animais como termo de comparação com a condição humana, Recha consegue dar ao público uma imagem de que algo se vai passar, criando o “buzz” que permanece até ao fim da película. A raposa misturada com os pássaros é semelhante à presença de Arnau no campo de corridas de cães: os humanos também sabem voltar à condição de predadores, a sua real natureza humana. A contar demasiado com a actuação de Marc Soto (Arnau), o filme perde um pouco a sua magia ao falhar em apostar noutras personagens, dando a ligeira sensação de que tudo revolve à volta do actor. A estética de filmagem é atraente o suficiente para notarmos os traços do cinema europeu, com destaque para a captação das cores  e dos planos explicativos sem necessitar de falas. Um bom filme de competição que começa a criar interesse dentro do circuito. O mais complicado será expandir o seu mercado de negócio.

O Melhor: A qualidade do argumento é acima da média dos filmes espanhóis e a capacidade de filmagem de Recha garantem que o filme é atraente para o espectador.

O Pior: Demasiado focado no papel principal de Arnau.

A Base
Este é um bom filme que tem pernas para alcançar o primeiro prémio deste festival o que seria interessante e um grande “boost” a Marc Recha dentro do panorama do cinema europeu.  7/10

Filipe Carvalho

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