Arrancamos já com um filme em competição, “Petit Indi’ de Marc Recha, realizador espanhol mais conhecido no circuito dos festivais que propriamente no mercado das audiências. É a primeira vez que o realizador está presente no festival e com um bom filme, no seguimento dos seus últimos trabalhos, “Dies d’Agost“ de 2006 e “Les Mains Vides“ de 2003.
O realizador segue um jovem sonhador, Arnau, que vive num dos piores subúrbios de Barcelona, Valbona, com a irmã já que a mãe está presa. A premissa do filme está na vontade de Arnau em libertar a sua mãe enquanto cria pássaros numa barraca por trás da sua casa. Com um cenário digno de qualquer bairro de suburbios em qualquer cidade, Arnau deambula por prédios velhos , decadentes e rios poluídos, sonhando com uma vida melhor e demonstrando uma personalidade introvertida. Tudo começa a mudar quando um dia encontra uma raposa ferida e decide tomar conta dela, enquanto procura angariar dinheiro para contratar um advogado para libertar a sua mãe.
Utilizando os animais como termo de comparação com a condição humana, Recha consegue dar ao público uma imagem de que algo se vai passar, criando o “buzz” que permanece até ao fim da película. A raposa misturada com os pássaros é semelhante à presença de Arnau no campo de corridas de cães: os humanos também sabem voltar à condição de predadores, a sua real natureza humana. A contar demasiado com a actuação de Marc Soto (Arnau), o filme perde um pouco a sua magia ao falhar em apostar noutras personagens, dando a ligeira sensação de que tudo revolve à volta do actor. A estética de filmagem é atraente o suficiente para notarmos os traços do cinema europeu, com destaque para a captação das cores e dos planos explicativos sem necessitar de falas. Um bom filme de competição que começa a criar interesse dentro do circuito. O mais complicado será expandir o seu mercado de negócio.
O Melhor: A qualidade do argumento é acima da média dos filmes espanhóis e a capacidade de filmagem de Recha garantem que o filme é atraente para o espectador.
O Pior: Demasiado focado no papel principal de Arnau.
| A Base |
| Este é um bom filme que tem pernas para alcançar o primeiro prémio deste festival o que seria interessante e um grande “boost” a Marc Recha dentro do panorama do cinema europeu. 7/10 |

