O primeiro filme em competição, “La Famille Wolberg” , arrisco-me a dizer, é um sério candidato ao prémio. Talvez seja prematuro afirmar isto sem ver os restantes filmes mas a verdade é que esta obra do realizador Axelle Ropert consegue transmitir as emoções e sentimentos a que se destina, abordando um tema tão complexo como o amor. O amor pela família. O amor pela vida.
Simon Wolberg, é o presidente da câmara da cidade de uma pequena cidade francesa. Um homem dedicado aos seus constituintes, à sua vida familiar, à sua mulher, mas também um homem amargurado, frio e teimoso incapaz de compreender as decisões dos outros quando estas não vão ao encontro das suas expectativas.
Simon é casado com Marianne, uma atraente mulher de quem tem dois filhos, Benjamin e Delphine, distintos na maneira como percepcionam a vida. Baseando-se no drama de uma família disfuncional, o filme capta a essência de uma verdade bem real nos dias que correm , todos nós procuramos algo mais. Um caminho que se torna obrigatório descobrir para encontrar a paz de alma, seja através do amor ou de algo distinto. Nesta obra de Ropert tudo faz sentido dentro do drama e humor negro, aprofundando as personagens com simbologias que as representam, como a música, os quadros, a paisagem ou longos planos de expressões dos actores. No fundo, a “ Famille Wolberg” não é assim tão diferente de alguma que conhecemos.
O Melhor: Uma narrativa bem construída que se enquadra perfeitamente no ambiente e caracterização das personagens.
O Pior: Falha ligeiramente na ligação entre as personagens familiares.
| A Base |
| Um bom começo para a competição, com um filme forte no que toca a argumento e estética. Não desilude na qualidade de filme francês. 8/10 |

