
Não é preciso ser um expert em cinema para entender que Wes Anderson e a sua cinematografia o tornam um dos cineastas mais interessantes e diferentes que povoam o universo do cinema americano.
A forma bizarra, constantemente divertida, mas sempre com tons dramáticos, que acompanham os seus trabalhos dão o estatuto de Rei das tragicomédias contemporâneas, quer estas se passem em liceus (“Rushmore”), em Manhattan (“The Royal Tennenbaums”), no Mar (“The Life Aquatic with Steve Zissou”) ou em plena Índia (“The Darjeeling Limited”).
O certo é que este antigo estudante de filosofia na Universidade do Texas, onde conheceu o actor Owen Wilson, que viria mais tarde ser o seu principal colaborador cinematográfico, tem conquistado aos poucos um grupo de fãs e uma habitual aceitação bastante positiva dos seus filmes por parte da crítica especializada.
Mas só em 1994 começou esta caminhada. Na altura, Wes – que estudava filosofia juntamente com o seu companheiro de quarto, Owen Wilson – decidiu executar uma longa metragem que seria protagonizada pelos dois irmãos do seu colega: Luke Wilson e Andrew Wilson. O financiamento não surgiu e a obra ficou pela curta-metragem. O trabalho, a preto e branco, chegou à vista de L.M. Kit Carson, amigo da família Wilson, que ficou tão impressionado que decidiu enviar a obra ao seu colega Platt e convencer Wes a enviar a obra para Sundance. Não demorou muito para que James Lee Brooks, parceiro de Platt, orquestrasse um acordo com Wes, e conseguisse que este realizasse a longa-metragem para a Columbia Pictures.
Dentro dos limites de uma obra inicial, este trabalho foi um sucesso. “Bottle Rocket” venceu alguns prémios, entre eles o de cineasta mais promissor para a MTV. O público também foi conquistado e até colegas de profissão de Wes, como Martin Scorsese, colocaram a obra no seu top de filmes preferidos dos anos 90.
Logo a seguir a Disney contrata Wes e com um orçamento minúsculo, o cineasta acaba por desenvolver “Rushmore”, um sucesso da crítica que andou a passear de festival em festival. Começou aqui também a parceria com dois actores que mais tarde voltariam a trabalhar com Wes: Bill Murray e Jason Schwartzman.
“The Royal Tenenbaums” foi o filme que se seguiu, provando a ascensão do cineasta. A obra, que acompanhava uma família super-intelectual, estranhamente vestida, em Manhattan, com problemas e situações bizarras, conquistou a crítica e através do fenómeno do boca em boca conseguiu reunir 50 milhões de dólares, o que significava o triplo da obra anterior. Para além disso, Wes e Owen Wilson foram nomeados ao Oscar de Melhor Argumento, cimentando o estatuto de grandes criadores de histórias tragicocómicas recheadas de personagens únicas e normalmente disfuncionais.

Mais recentemente, em 2006, Wes volta à dinâmica de “Bottle Rocket”, e coloca três irmãos bastante diferentes – Schwartzman, Wilson e Adrien Brody – numa espécie de jornada pela Índia. “The Darjeeling Limited” não teve o impacto dos anteriores, mas acentuou a destreza de Wes em lidar com fábulas de famílias excêntricas um pouco ausentes de realismo.
Três anos depois, o cineasta apresenta agora “The Fantastic Mr. Fox”, a primeira incursão de Wes em filmes de animação, em stop motion, baseado num livro infantil de Roald Dahl – o mesmo criador de “Charlie and the Chocolate Factory”.
Nele seguimos Mr. Fox, uma raposa que rouba frangos, patos e perús das quintas de três homens — Boque, Bunco e Bino — para alimentar a família. Aqueles três homens tudo farão para deter o sr. Raposo. Com as vozes Meryl Streep, George Clooney, Willem Dafoe, Bill Murray e Owen Wilson , este filme só estreará em Portugal em 2010, sendo o Estoril Film Festival uma das raras oportunidades de o ver antes.
Estoril Film Festival 09
Dia 5 – 22:30 – ‘Fantástico Senhor Raposo‘ de Wes Anderson (Fora de Competição/Filme de Abertura)
Centro de Congressos

