Indie Lisboa ’09 – Dia 9

(Fotos: Divulgação)

De volta o fim-de-semana e as salas cheias. As duas sessões desta sexta-feira estavam esgotadas. Nem o calor, nem o fim-de-semana grande afastaram o público. Isto mostra que, se nem sempre há público no cinema, é por causa ou da qualidade dos filmes exibidos ou da necessidade de, à semelhança com o que já se faz noutros países, tentar tornar a experiência do cinema em algo diferente, para concorrer com a facilidade de se poder escolher, por metade do que se paga numa sala, nos novos sistemas de cabo, ou um qualquer blockbuster americano. Como reinventar as salas de cinema para atrair de novo o público?

Cea mai fericita fata din lume – The Happiest Girl in the World

Radu Jude, o realizador deste filme, trabalhou em publicidade antes de se meter no cinema e explora essa experiência nesta comédia sobre uma rapariga que ganhou um concurso de uma marca de sumos, para a qual foi convidada a fazer um anúncio. Toda a artificialidade deste mundo revela-se logo no título: “A rapariga mais feliz do mundo”, está longe de o ser, com vários elementos a contribuírem para isso, todos eles desenvolvidos de forma paralela ao longo do filme, alguns familiares, outros introduzidos pelas imposições da publicidade ou dos representantes da marca presentes na rodagem.

É um pequeno filme bem desenvolvido e com um grande sentido de humor. A representação de Andreea Bosneag, com 17 anos e sem qualquer formação de representação, mostra uma grande naturalidade e aumenta a curiosidade em vê-la noutros papéis no futuro. (6/10)

Wendy and Lucy

Ao contrário do anunciado nos Media, a recessão económica já se arrasta e afecta a vida de milhões de pessoas há mais tempo que o referido. “Wendy and Lucy” é a história de Wendy que, com a falta de trabalho na sua terra natal, está a caminho do Alasca, à procura de um futuro possível. Com ela leva a sua cadela Lucy, a sua companhia e amiga mais próxima. Quando, após um problema com o seu carro, a perde numa cidade pequena, Wendy faz o que pode para a encontrar. Na sua procura vai encontrar várias personagens que interagem com ela, a maior parte deles neutros, mas alguns bem-intencionados.

Parece-me que a cadela representa, no filme, a esperança da Wendy: a esperança que traz à partida, a esperança que perde quando o carro avaria e a esperança que sabe que não pode sentir no final do filme. É um filme que, apesar de não ser negativo, também não é positivo. A mensagem parece ser que há que persistir, para além de qualquer esperança. Fica a incrível representação de Michelle Williams que, já antes, em Brokeback Mountain, por exemplo, provou que era uma grande actriz. (7/10)

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