
Il Divo
A determinado ponto neste filme pode ler-se numa sala de tribunal “La Legge é uguale per tutti”, a Lei é igual para todos, mas não o é e o filme é um exercício brilhante em mostrá-lo. Nele se conta a história de Giulio Andreotti, elemento importante da política italiana da segunda metade do século XX, e de vários crimes aos quais esteve possivelmente ligado.
É um filme difícil, com uma trama densa e uma construção que não facilita a sua compreensão, mas que acaba por compensar a persistência. A imagem e o som do filme são cuidados e deixam muitos filmes norte-americanos envergonhados.
Estou certo que este filme aparecerá nas salas de cinema em pouco tempo e é sem dúvida um filme a não perder (9/10)
JCVD
Jean-Claude Van Damme tenta reinventar-se nesta comédia onde subverte alguns dos padrões do cinema de acção e de Hollywood com um efeito cómico bastante eficiente. No entanto o filme tem, quase no final, uma cena que acaba por traí-lo e transformá-lo quase num anúncio a JCVD. Quando já, várias vezes ao longo do filme, tinha evitado cair no papel de vítima, nessa cena assume-o completamente. Ainda assim, vale a pena ver este filme pela sua desconstrução de um género bem conhecido e pelo seu humor (6/10)
Un Autre Homme
Após a colocação da namorada como professora numa vila do interior da Suiça, François encontra trabalho no jornal local, onde, para além de alguns acontecimentos locais, tem de fazer semanalmente a crítica do filme que é exibido no único cinema. Só que François é uma pessoa indefinida, que chegou ao ponto da vida onde está mais por inércia do que por esforço e isso reflecte-se na sua falta de opinião sobre o cinema. Após um desentendimento com a proprietária do cinema local, começa a ir a Lausanne, a cidade mais perto, aos visionamentos dos críticos onde conhece Rosa, crítica de cinema irónica e descrente de toda essa actividade que o fascina e com quem eventualmente acaba por se ver ligado.
O filme é um ataque feroz não só à crítica de cinema, que desconstrói com minúcia, mas também a uma nova espécie de homem urbano que existe: amorfo, infantil e, apesar de toda a sua aparente sofisticação, ingénuo. François move-se pelo filme sempre à sombra das mulheres e das suas vontades, acreditando ainda na imagem do macho que dá significado à vida da fêmea pela sua presença e impondo-se nos momentos errados.
Parece-me um filme para uma faixa etária bem delimitada (vintes, trintas) e para um público urbano, assim, não será para toda a gente. (7/10)

