Indie Lisboa ’09 – Dia 4

(Fotos: Divulgação)

Há sempre um risco quando se planeia um festival de cinema: não prestar atenção suficiente à duração de um filme e ficar com cinco minutos de intervalo entre filmes em cinemas diferentes. Isso foi o que consegui fazer hoje, ficando com cinco míseros minutos para me deslocar do Fórum Lisboa ao Alvalade. Demorei 10, mas felizmente o outro filme não começou mesmo à hora marcada, se não tinha perdido um dos melhores filmes que já vi até agora no festival.

Fitzcarraldo

Um dos homenageados nesta edição do festival é Werner Herzog e, como tal, uma retrospectiva dos seus filmes está presente no programa. Admito desde já um quase total desconhecimento da obra deste realizador: já ouvi várias vezes mencionadas algumas das suas obras e já vi outras, mas nunca as mais conhecidas. Assim, aproveitei o festival para conhecer duas das suas obras mais famosas: Fitzcarraldo e Aguirre.

Fitzcarraldo é uma das histórias mais incríveis que já vi no cinema: a loucura de um empreendimento impossível alimentado por um sonho quase absurdo, mantidos pela pessoa lunática do personagem Fitzcarraldo. Herzog é um grande encenador, conseguindo planos incríveis e de uma força poética marcante.
Ainda assim, o filme não me agradou completamente: as representações são todas muito exageradas, dando a ideia de que não existe direcção de actores, que fica ainda mais acentuado com o facto de ser uma produção multinacional e a dobragem feita deixar muito a desejar; as quase duas horas e meia poderiam ser, facilmente, reduzidas para menos de duas, fazendo um filme mais coeso e fácil de ver; há artifícios usados para manter a tensão que nunca se desenrolam e acabam por haver acontecimentos por cima de acontecimentos sem um desenvolvimento satisfatório.
É uma passagem obrigatória na história do cinema, pela sua grandeza e pela sua história, apesar de todas as suas faltas. (7/10)

Louise-Michel 

As trabalhadoras de uma fábrica de brinquedos, depois de chegarem uma manhã e descobrirem que todas as máquinas desapareceram durante a noite, resolvem juntar o dinheiro das suas indemnizações e pagar a um assassino para matar o patrão. Não há nada de correcto nesta comédia. Mais, parece haver um plano muito específico para desfazer e ofender em todos as questões que o politicamente correcto alguma vez tenha defendido. Isto sem nunca perder de vista a história do filme e a crítica feroz ao capitalismo actual. Na minha opinião, o melhor filme que vi até agora no festival, mas o qual não deve ser muito explicado com o risco de se perder algo no factor surpresa. (8/10)

 
João Miranda

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