Indie Lisboa ’09 – Dia 3

(Fotos: Divulgação)

 

 

Apesar de ter começado a chover, as sessões deste dia foram as mais cheias em que estive neste festival. Não que as outras estivessem vazias, mas sabe sempre bem ver salas de cinema cheias e ver que há público para cinema e para festivais.

Helen

Helen é uma exploração onírica da procura de identidade por parte da personagem com esse nome, quando lhe é proposto participar na reencenação das últimas horas conhecidas de Joy, uma rapariga da mesma idade que ela, que desapareceu. Enquanto a primeira é órfã, trabalha e estuda ao mesmo tempo, a segunda vive uma vida protegida com os pais e os amigos na escola. A preparar-se para a reencenação, Helen começa a aproximar-se mais da vida de Joy, do namorado, da família, à procura de uma vida que lhe escapou e tentando reinventar-se na vida que levou até aí.
Na sessão de perguntas com o realizador, no final do filme, este explicou que este filme se insere num projecto comunitário, do qual resultaram várias curtas (a série “Civic Life”) também em exibição no Indie, onde trabalharam com pessoas sem experiência de actor, sem grande direcção nesse sentido, já que o foco é no “como” das situações, não no “porquê”.
O filme é constituído por planos cuidados, tipo fotografia, e com travellings lentos sobre esses planos, o que contribui, com toda a contenção da personagem principal, para um ambiente contemplativo que, ainda assim, não se torna aborrecido ou cansativo. A procura de Helen resolve-se no final, ainda que não a de Joy, mas, como o próprio título indica, o filme é sobre a primeira. Faltou-me a mim, pessoalmente, uma cena final de resolução, mas se calhar estou a ser demasiado americano. (7/10)

 João Miranda

 

 

Tony Manero

Outro filme sobre identidade e sobre quais os limites que existem na nossa definição da mesma. Passada no Chile de Pinochet, algum tempo depois do sucesso de “Febre de Sábado à Noite”, este filme segue a história de Raúl, na sua procura de ser reconhecido como o Tony Manero chileno e dos extremos que á capaz de atingir para chegar a esse objectivo.
É um filme desagradável, em que nenhuma das personagens tem qualquer factor de redenção, onde o contexto sociopolítico determina que algumas das relações mais básicas se tornem em desvios e/ou abusos do outro. Ao contrário de Helen, não há qualquer elemento positivo na busca de identidade deste homem. Para ver com alguma caução. (6/10)[/quote]

João Miranda

 

Serbis

Não há nada de muito brilhante neste trabalho do cineasta filipino Brilhante Mendonza. Seguindo a sua veia neo-realista, ja carimbada em “Foster Child” e “Sling Shot”, Mendonza apresenta a história de uma família que gere um cinema pornográfico onde são frequentes os encontros sexuais entre homens.

Ainda que com uma estética interessante e fazendo lembrar um pouco o ambiente de “Goodbye, Dragon Inn” de Tsai Ming-liang, a Mendonza falta dimensão, ambiente e um verdadeiro estudo das suas personagens que elevem esta obra a um outro estatuto. No fundo, o único elemento que se destaca neste trabalho é o cinema em si, que é sem dúvida a verdadeira estrela de uma fita com mais intenções e simbolismos que realmente engenho em mostrar ou fazer sentir o que quer que seja. (3/10)

Jorge Pereira

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