Indie Lisboa ’09 – Dia 2

(Fotos: Divulgação)
 
 
Primeiro de três dias com uma maratona de três filmes seleccionados. Da minha experiência pessoal, esse é o limite diário para se poder apreciar mesmo os filmes que se vêem, mais do que isso e o cansaço instala-se e começa a perder-se algo de toda a experiência.
Conheci hoje a sala 3 do novo cinema Alvalade (onde já não ia há mais de vinte anos) e aviso possíveis frequentadores da sala que não é uma sala meiga para quem chega atrasado: curta e estreita, tem um bom declive, mas as primeiras filas estão abaixo e demasiado perto do ecrã, o que se pode traduzir numa experiência desagradável e até dolorosa.
 
 

Medecine for Melancholy

Este filme independente de grande preocupação estética, perde-se na indefinição do que pretende: começa por se mostrar uma história de amor com um início original, mas tropeça a meio, de modo forçado e sem sentido nenhum na narrativa, primeiro, na tentativa do realizador mostrar que se preocupa com os problemas da urbanização de São Francisco, numa discussão que surge sem anúncio com personagens que nada têm a ver com a história que seguíamos, depois na redução do filme a um sampler de música indie, numa cena de discoteca que demora demasiado tempo. A ideia final é a de que o realizador quer-se mostrar demasiado hip e acaba por sacrificar o filme pelo seu ego. Vale pela história de amor e pela imagem. (5/10)

Ballast

Ballast tem ganho vários prémios nos festivais de cinema em que tem aparecido. Infelizmente, parece-me que tem sido sobrevalorizado: a história é relativamente original, mas a forma como é explorada torna óbvios os acontecimentos antes de estes acontecerem, como se estivéssemos a jogar poker com um adversário que nos estivesse sempre a mostrar o jogo. Isso acaba por não permitir qualquer tipo de tensão ou emotividade para além das iniciais. O realizador parece tentar compensar esse facto com a falta de qualquer banda sonora, que até pode funcionar em alguns momentos, mas acaba por se tornar num ponto fraco devido ao excesso de momentos de silêncio, que acabam por dar a sensação de que o filme ainda não está completo.
As personagens são outro ponto fraco do filme: não é passível de gostar de nenhuma delas, todas horríveis e sem ponto de redenção, acabamos por não nos preocuparmos muito com o futuro delas e, consecutivamente, com o fim do filme. Que acaba por não vir; mais uma ponta solta nesta peça que, com outro corte e uma banda sonora, poderia ser um grande filme. (6/10)

Tyson

Mike Tyson é uma figura difícil de entender: lembro-me de crescer e, apesar de não seguir nem me interessar por boxe, ouvir falar dele, da sua vida, dos problemas com mulheres e das suas prisões. Este documentário está quase todo na primeira pessoa, baseado em diálogos do próprio Tyson e, ainda assim, não pinta um bonito retrato dele. Do que já tinha ouvido falar do filme, havia alguma polémica sobre este não investigar mais as acusações de violação que foram feitas ao longo dos anos, mas o próprio Tyson faz um trabalho exemplar em mostrar-se um predador misógino em vários momentos do filme.
Mesmo não percebendo muito de boxe, o documentário faz um bom trabalho em explicar, ao mesmo tempo que conta a história de Tyson, o que tornou este pugilista no campeão mundial e até viver com alguma emoção os momentos mais altos da carreira deste. Por outro lado, mostra outras facetas da pessoa que os media não costumam mostrar, acompanhada de vários vídeos pessoais e entrevistas dadas. É um documentário bem construído, com um cuidado visual e sonoro que se traduz numa grande emotividade, mas são as próprias palavra de Tyson que mais surpreendem. (8/10)
 
João Miranda

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