
Slavar – Slaves
Esta curta, de um quarto de hora, é a animação da entrevista feita pelos dois autores a duas crianças, de 9 e 15 anos, que foram raptadas das suas aldeias para servirem como escravos. A animação em si é bastante sóbria e o tempo acaba por parecer pouco para o tema explorado. Fiquei com vontade de mais. (6/10)
In Transit
Tenho alguma dificuldade em separar o cinema da arte e em aceitar obras que não são obviamente para o mercado cinematográfico, mas artístico, no cinema. Este filme faria sentido num museu, numa exposição de arte vídeo, já que não possui uma estrutura narrativa ou documental, mas apenas um lirismo desconexo das imagens com a poesia da legendagem. Inserido numa sequência de curtas-metragens documentais, ainda mais deslocado me pareceu. (4/10)
Sonbol
Este documentário segue a vida de Sonbol Fatemi, mulher no Irão moderno, da Lei Islâmica e da cultura machista, dentista, divorciada e corredora de ralis. Entre os diálogos hilariantes que tem com a sua mãe e os momentos confessionais que tem a solo, Solbol mostra-se o modelo de mulher que luta por se afirmar numa sociedade que lhe dá poucas hipóteses de o fazer. Dando como perdidas as hipóteses de amor ou família e com a clareza de que a mudança necessária não virá a curto prazo, nem com uma mudança de regime, Sonbol mantém-se firme na sua posição feminista (não, não é uma palavra feia) de mulher profissional realizada. Não sem mágoa, como quando diz que para ela o amor é irrelevante limpando as lágrimas da cara, ou sem dúvidas, como o expressa no final do filme.
Este é um grande documentário, bem construído, percorrendo várias emoções e inspirador para as mulheres (dando um modelo a seguir) e para o Ocidente (não caindo em paternalismos, nem minimizando o Islão pela diferença). (8/10)
Polowa Mnie – Half Me
Outra curta que se fica pelas intenções, com uma fraca concretização, nem formando uma unidade coerente. Fica a vontade de ver o tema explorado de outra forma, mais séria e mais profunda, menos dependente de explicações dadas por frases no final do filme. (4/10)
João Miranda

