O filme “Nobody Has To Know” de Bouli Lanners & Tim Mielants arrecadou o Grande Prémio do Júri Internacional na 12ª edição do Festival de La Roche-sur-Yon, em França. “Filmei-o na Escócia em inglês”, disse-nos o realizador sobre este projeto durante o Festival de Bruxelas. “É uma história de amor, uma verdadeira história de amor. E escrevi-o também. É uma história de amor entre uma mulher que tem sessenta anos que habita numa pequena vila presbiteriana que é muito rígida e um tipo de cinquenta anos que trabalha com eles e tem amnésia. Ela usa essa amnésia para convencer que eles estavam juntos antes. É uma história de amor até pelo menos recuperar a memória. Há muito tempo que queria escrever algo mais clássico, um romance, daqueles em que choramos no final“.
Já “Le Bruit Des Moteurs“, de Philippe Grégoire, arrecadou o Prémio Especial do Júri na mesma competição. Passado numa pequena vila no Quebeque, o filme segue as peripécias de Alexandre, instrutor da polícia da alfândega que depois de ser suspenso da sua instituição vê-se colocado sob vigilância de investigadores da polícia que tentam desvendar alguns desenhos de sexo explícito que incomodam a cidade. “A ideia surgiu-me quando fiz a recruta para agente alfandegário“, explicou-nos o realizador canadiano em estreia durante o último Festival de San Sebástian, admitindo que durante muito tempo andou a vaguear nas suas curtas-metragens entre a comédia o drama, até que decidiu fazer algo que englobasse as duas e estivesse em conta com o seu humor. Humor esse que faz lembrar o de Quentin Dupieux ou de Benoit Delphine e Gustave Kervern, além do também canadiano André Forcier.
A secção paralela Novas Vagas foi conquistada por “Atlantide” de Yuri Ancarani, que estreou no último Festival de Veneza. Híbrido que insere ficção numa forma documental, desconstruindo a Veneza que conhecemos do cinema e da qual criámos um mapa mental, o cineasta originário de Ravenna entra pela laguna adentro, a maioria das vezes a alta velocidade em sequências noturnas maravilhosamente iluminadas, transportando-nos numa verdadeira trip sensorial que permanentemente nos deixa num estado de transcendência. Nesta secção, “The Girl and the Spider” de Ramon Zürcher e Silvan Zürcher arrecadou ainda uma menção especial.
Finalmente, o Prémio do Público foi para o vencedor do Festival de Veneza, “L’événement“, baseado no livro homónimo de 2000 por parte de Annie Ernaux. Um relato de não-ficção onde visitamos os anos 1960 e seguimos Anne, nos tempos preparatórios para entrar na Universidade. Foi nessa altura que ela engravidou e lutou para conseguir fazer um aborto quando era proibido em França, tendo passando por situações penosas para a sua condição de mulher.

