Uma retrospetiva em torno das Divas do Cinema Italiano, onde se incluem Sophia Loren, Monica Vitti, Silvana Mangano, Claudia Cardinale, Alida Valli e Anna Magnani, e a estreia nacional do novo filme de Nanni Moretti, “Três Andares”, são os principais destaques da Festa do Cinema Italiano, festival que realiza-se de 2 a 10 de novembro em Lisboa, no Cinema São Jorge, no Cinema Medeia Nimas, no UCI El Corte Inglés, na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e, pela primeira vez, na Culturgest.
Exibido no Festival de Cannes, “Três Andares” segue três famílias que vivem em três apartamentos, todos eles confrontados com problemas muito intensos. De um lado temos um casal que enfrenta a terrível suspeita de que o seu vizinho, um idoso, abusou da filha; do outro, uma mãe luta contra a solidão e a áspera relação do marido com o irmão; e finalmente um casal que vê o seu filho atropelar e matar uma mulher, observando como este terá de confrontar o crime que cometeu. “É um filme sobre a responsabilidade, assumirmos os atos que fazemos”, disse Moretti ao C7nema numa entrevista durante o festival, explicando que nele existia a ideia de adaptar esta obra sem uma observação de uma época e dos problemas políticos e sociais desses tempos: “Não queria nenhuma referência temporal neste filme, como fiz no ‘Quarto do Filho’, pois ambos os filmes abordam temas universais. Não queria nenhuma distração. Nada de noticias, programas de TV, ou referências radiofónicas.”
A encerrar o evento teremos “Le Sorelle Macaluso” (As Irmãs Macaluso), terceira longa-metragem de Emma Dante, que conta a história de cinco irmãs e como o tempo atravessa as suas relações e a forma como vivem. Esta sessão tem a particularidade de ser organizada em conjunto com a Olhares do Mediterrâneo |- Women’s Film Festival, e funcionará igualmente como abertura desse certame.
De resto, destaque para a antestreia de “La Mafia non è più quella di una Volta”, de Francesco Maresco. O realizador revisita a memória histórica italiana para saber como sobreviveram no tempo dois dos seus heróis – os juízes Giovanni Falcone e Paolo Borsellini, assassinados pela máfia no início dos anos 90, após conseguirem prender 360 membros da Cosa Nostra. “Estávamos todos em choque, num pesadelo coletivo que nenhum de nós jamais havia experimentado”, disse o cineasta há dois anos sobre os eventos documentados no seu filme. “ Havia tanta raiva do poder político, que muitos pensavam que uma revolta sem precedentes estava prestes a estourar. Em vez disso, nada aconteceu. Nos meses seguintes ainda assistiu-se ao nascimento do efémero “movimento dos lençóis” dentro de uma parte da sociedade civil, surgido nos salões da burguesia “iluminada” de Palermo. Mas faltava uma consciência de massa, um sentimento popular comum e, pouco depois, após a onda emocional, tudo acabou em nada.”
A este filme está associado uma homenagem à fotógrafa Letizia Battaglia, nome incontornável da fotografia italiana e fotojornalista reconhecida no mundo inteiro pelo seu trabalho único em retratar a máfia italiana. Battaglia estará presente no festival com uma exposição fotográfica “Mafia, Passione… Amore”, juntamente com o fotógrafo Roberto Timperi.
A habitual secção competitiva e uma reflexão do presente com dois filmes de Andrea Segre:,”Molecole” e “Welcome Venice”, marcam também o evento que depois de Lisboa seguirá para várias cidades nacionais.

