La (Très) Grande Évasion: Animada triagem da crise

(Fotos: Divulgação)

Dono de uma invejável carreira como montador, marcada por parcerias recorrentes com Rachid Bouchareb, Costa-Gavras e Mitra Farahani, Yannick Kergoat despontou como promessa do cinema francês, no terreno da montagem, em 1997, ao propor soluções dramatúrgicas para o material filmado por Mathieu Kassovitz em “Assassin(s)“. Daí para a frente, trabalhou em filmes que vão de Astérix a thrillers políticos, como “Le Couperet” (2005). A proximidade da ilha de montagem com uma série de cineastas de verve autoral marcada por inquietudes de tom sociais deram-lhe a rota para filmar “La (Très) Grande Évasion“, em cartaz em San Sebastián.

É o documentário mais ousado, na forma, entre todos os exemplares de não ficção do evento espanhol exibidos da sua inauguração, na sexta-feira passada, até aqui. O título em inglês – “Tax Me If You Can” – brinca com o seu objeto de análise: os paraísos fiscais.

Não sei o que se passa na cabeça de um presidente de uma multinacional, mas suspeito que passe por ela o desejo de conseguir o máximo de dinheiro possível“, disse Yannick ao responder ao C7 sobre a citação a Paulo Guedes, economista por trás das finanças do governo de Bolsonaro, no Brasil. “Não obtivemos nenhuma informação particular sobre as finanças de nações latinas, como a brasileira, mas percebemos que o mundo, em massa, sofre com uma indústria de conselhos fiscais, de especialistas que analisam a saúde financeira dos países“.

Usando animação para costurar toneladas de factos, imagens de arquivo e entrevistas, Yannick transforma o que poderia ser um Power Point sobre a evasão de divisas e sobre fraudes de impostos numa divertida cartografia de práticas ilícitas e como fintar a lei. “A França tem tradição em documentários de autor, com uma forma bem específica. Mas o que procurei foi fazer um caminho de conversar com os jovens, indo além da informação, de modo a interessar a juventude e fazê-la pensar sobre o que se passa no mundo“, diz Yannick.

San Sebastián termina no dia 24, com a entrega da Conchca de Ouro e com a projeção de “Marlowe“, de Nei Jordan.

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