De “Mortal Kombat” (1995) à franquia “Resident Evil”, o cinema de Paul WS Anderson foi acumulando marcas em mais de duas décadas de carreira. Os seus filmes nunca são espessos ou profundos nos temas; o drama está constantemente ao serviço da ação; a construção imagética é profundamente fantasiosa; e normalmente tudo é impulsionado por rostos femininos estóicos e sérios, com Milla Jovovich (a sua esposa) a ser a sua estrela permanente, pronta para aplicar violência contra criaturas que não fazem parte do seu mundo.
“Monster Hunter” é uma sequência natural no currículo de PWSA, mais um filme baseado num videojogo e que se sente como tal na sua transposição para o grande ecrã. Um produto energético, mas nem sempre eficaz, totalmente orientado para a criação de um espetáculo visual capaz de abrir as portas para uma nova franquia cinematográfica.
O foco agora são diferentes dimensões, mundos, que se cruzam com alguma efervescência, mas de forma desritmada. De um lado temos um agrupamento militar dos EUA em patrulha, liderados pela Capitã Natalie Artemis (Milla Jovovich). Uma aparente tempestade de areia surge no horizonte, mas na verdade todos são lançados repentinamente para um universo alternativo repleto de criaturas gigantes.
Tiros para cá e para lá – os filmes de PWSA são também orgias belicistas -, Milla Jovovich vai acabar por encontrar na sua rota Tony Jaa, envolvido na personagem mística de um caçador que será a única ajuda para lutar pela sobrevivência. A dinâmica entre os dois começa com atrito, como sempre, mas nada como um elemento complexo como um chocolate (que se transforma em piada recorrente) resolva.
Apoiado por um trabalho hiperativo na montagem de Doobie White, “Monster Hunter” é essencialmente agitação para comando de consola vibrar, mas numa sala de cinema ou em casa, entregues a tudo isto, a o tom sensorial que o espectador procura encontra fica entregues a imagens pouco criativas.
Isso tem particular incidência na construção das criaturas, estranhando-se o seu pouco desenvolvimento artístico (semelhantes às de “Tremors”, “Pitch Black” e “Starship Troopers”), especialmente quando nos créditos encontramos a mítica Toho, que criou um dos maiores ícones da monstruosidade cinematográfica: Godzilla. Mas olhando também para a última aventura do lagarto gigante, apetece provocar e dizer que PWSA podia ensinar 2 ou 3 coisas a Adam Wingard – que além de produzir um filme profundamente idiota e genérico na ação, nunca conseguiu sacudir o pó das personagens de cartão com que tinha de lidar.
No final, mesmo com as fragilidades inerentes da composição estética de “Monster Hunter” e da falta de arrojo para além do que já vimos em todo o seu currículo, PWSA consegue entregar alguma energia e passar o carisma dos atores para as personagens, a que Ron Perlman vem dar um ajuda no último terço.















