A história “desconhecida” de Stan Ulam, um matemático polaco que se juntou ao Projeto Manhattan no final da Segunda Guerra Mundial, é o foco deste “Adventures of a Mathematician”, em competição no Bergamo Film Meeting.
Coprodução europeia com todas as marcas narrativas e académicas do cinema norte-americano, esta obra de Thor Klein toca em temáticas como a imigração e o perigo nuclear, mas é na sua vertente ética de construção de universos bélicos implacáveis que assenta principalmente os holofotes, traçando pelo caminho a importância dos inúmeros imigrantes europeus, especialmente oriundo do leste, para os EUA, e como isso trouxe inúmeras vantagens ao país.
Philippe Tlokinski assume com vigor e charme o papel do matemático polaco-judeu que depois de conseguir uma bolsa em Harvard foi para Los Alamos, Novo México, trabalhar no projeto secreto, contribuíndo decisivamente para a construção de uma bomba de hidrogénio e para o desenvolvimento dos primórdios da tecnologia da computação.
Apesar de oferecer um retrato curioso sobre o homem e da sua vida (laboral e familiar), paralelamente servindo como uma peça histórica para o início da dominação global por parte dos EUA no que diz respeito à força bélica, “Adventures of a Mathematician” nunca passa além do trabalho”certinho”, estudado, e executado com muito pouco arrojo ou fora das convenções, mantendo-se permanentemente longe de apresentar verdadeiros dilemas, reflexões e ambiguidades, mesmo que toque nas questões morais e éticas da construção e utilização de armas de destruição maciça.
Algumas figuras históricas da época, como Klaus Fuchs, que mais tarde desertou para a União Soviética, passam quase despercebidas, para mal do filme, enquanto a esposa de Ulam, interpretada por Esther Garrel (Call Me By Your Name), nunca efetivamente arranca na sua personagem a força para ser mais que um adereço do guião.















