Ainda a retirar o açúcar todo dos ouvidos, tal a intensidade do melodramatismo presente na banda-sonora que acompanha cada instante deste “Un Destello Interior”, atrevo-me a inseri-lo no subgénero de filmes que tentam manipular o espectador em doses industriais, não tão diferentemente de objectos como “Milagre da Cela Sete”, que vivem essencialmente da exploração e emoções à flor da pelo, tendo na sua mente – que se acha iluminada, mas no fundo é limitada – a ideia que estamos perante uma belíssima lição de vida e um hino ao amor maternal.
É um exagero o peso sonoro deste filme, que tenta através de uma capa visualmente enigmática, via montagem e direção de fotografia, contar uma história que trabalhada de outra maneira poderia ser um belo exemplar do neorrealismo.
Ao invés, este conto de uma mulher diagnosticada com uma doença terminal que começa a planear o futuro da sua pequena filha, apenas serve como metáfora cristã (mensagem do sacrifício em prol do outro/ e ressurreição) e um conto de amor incondicional para encher de lágrimas as plateias, recorrendo frequentemente a estados febris, de quase transe, onde real e onírico se fundem, mas sem qualquer ligeireza e sapiência.
Aliás, este é um filme com um constante pé de chumbo por parte dos irmãos Luís e Andrés Rodríguez, conhecidos na indústria como “Los Morochos”. Mas com toda a sutileza de um pé de cabra ou de um martelo pneumático, a dupla oferece um dos trabalhos mais pobres que o cinema da América Latina tem para oferecer esta temporada, sendo assim perfeitamente evitável.
Fica apenas na retina o esforço das suas protagonistas, Jericó Montilla, a mãe, e a filha, Sol Vázquez, sendo completamente cliché quando estas se deslocam para uma área campestre e mais uma figura silenciosa de cariz místico apresenta-se pela nossa frente.















