Vivemos todos numa simulação e estamos presos nela com Owen Wilson e Salma Hayek a fazerem de si mesmos – e a pensar em tempos de maior glória – num registo sci-fi que nunca encontra forma de nos cativar além dos lugares-comuns e mediocridade.
Greg (Owen Wilson) está num processo de divórcio, com problemas em encontrar-se com filha, Emily (Nesta Cooper), e prestes a perder o emprego. Quando um acidente que resulta na morte do seu patrão coloca-o em fuga, ele encontra uma mulher num bar, Isabel (Salma Hayek), que lhe diz que vivemos todos numa simulação, mas que ambos são reais. A partir daí começa uma saga de brincadeiras e aprendizagem para manipulação do sistema através da telecinesia, mas que exige o tomar uma espécie de “droga” na forma de cristais.
Real e fictício, com muita manipulação à mistura, têm sido explorados no cinema com espécimes como “O 13º Andar”, “Dark City” ou “Matrix”, mas nesta saga de duas pessoas deslocadas e perdidas na vida, ganham contornos de romance de ficção científica cujas próprias reviravoltas e peripécias nunca saem da rota do previsível e aborrecido.
Mike Cahill, que há uns anos nos presenteou com “Another Earth”, talvez tenha sentido aqui a falta da protagonista e argumentista Brit Marling, ela que brilhou na Netflix em conceitos próximos, mas que nos remetem para realidades paralelas, no brilhante “The OA“. A verdade é que o tom do filme, embora tenha toques do padronizado, ou seja, o ambiente negro com influxo de comédia nas entrelinhas e suspense, nunca parece definir-se e encontrar uma verdadeira personalidade, ficando o espectador retido numa experiência que se quer sensorial e emocional, mas que apenas entrega prestações e ideias entre o monótono, o déjà vu e o mal executado.
Um dos piores filmes neste arranque de 2021.















