É difícil encontrar um documentário este ano com mais carga funesta que este “Exemplary Behaviour”, filme assinado pelo lituano Audrius Mickevičius que chegou ao Tallinn Black Nights já com o prémio máximo do prestigiado festival DOK Leipzig.
“Exemplary Behaviour” começa por nos contar como o irmão do realizador foi espancado até à morte por dois indivíduos. Um deles escapou a sentença e o outro foi condenado a 10 anos de cadeia, mas saiu passados cinco anos por bom comportamento. Partindo do pressuposto de que lugares são aos prisões e como o familiar de um homem morto pode (ou consegue) perdoar o assassino, Audrius Mickevičius embarcou por uma prisão em Vilnius, a infame Lukiškės, acompanhando outros condenados/sobreviventes. Não terminou o seu trabalho pois, vítima do destino, morreu no processo, sendo o filme completado pelo seu colega, e filósofo, Nerijus Milerius.
Esta viagem dolorosa – mas também esperançosa – remete-nos inevitavelmente para um outro documentário que fez furor no ACID no ano passado: “Des hommes”, de Alice Odiot e Jean-Robert Viallet, um mergulho áspero a uma prisão na região de Marselha onde se priva a liberdade e o objetivo primordial é punir.
Mickevičius usa o exemplo desses dois homens, visita outra condenada numa prisão feminina, e chama à conversa o filósofo francês – com experiência prisional por roubo a bancos – Bernhard Stiegler, para observar e reflexionar sobre as suas vidas suspensas e o que esta lhes reserva ainda.
Infelizmente, o documentário e o questionamento filosófico de algumas temáticas como a prisão como uma verdadeira escola do crime, ficam muito à superfície, como ideias de frases soltas, tal como as motivações dos protagonistas desta peça documental, que mesmo mostrando pedaços da sua vida permanecem sempre distantes para nos agarrar e levar-nos a ter uma empatia (ou mesmo interesse) por eles.
Ainda assim, merece uma olhadela, até porque nessa contenção e austeridade encontramos formas alegóricas materializadas num conjunto de animais, gatos mais concretamente, que também eles fazem a sua vida num local já encerrado – e que agora funciona apenas como espaço para visitas turísticas e produções cinematográficas.
















