Já na sua primeira longa-metragem, “Willy1er“,  onde  dividiam a realização com Marielle Gautier e Hugo P. Thomas, a dupla Ludovic Boukherma e Zoran Boukherma mostrava um interesse particular por pequenas histórias de lugarejos da Normandia para narrar a vida de figuras muito particulares, traçando retratos sociais realistas como pano de fundo de uma verdadeira farsa.

Nesse “Willy1er“, que triunfou na Olhares do Mediterrâneo em 2016 e vinha com o selo ACID de Cannes, seguíamos um homem de 50 anos que após o suicídio do irmão gémeo decide sair de casa dos pais e começar uma nova vida. Agora, é também num vilarejo que assentamos arraiais e nos focamos na história de um rapaz que depois de ser mordido por um animal se transforma num lobisomem.

Vários elementos no cinema de Ludovic Boukherma e Zoran Boukherma fazem lembrar o de  Gustave Kervern e Benoît Delépine, mas também o trabalho mais recente de Bruno Dumont, sendo particularmente curiosa a forma como neste “Teddy” a dupla conta uma história de adolescência e rejeição – como tantas outras – com um fundo de comédia de horror com licantropos à mistura.

Claro está que as influências do universo fantástico estão por cá, e vão desde Joe Dante  e o seu “Um Lobisomem americano em Londres“, até De Palma e o seu “Carrie“, mas quando toca à espetacularidade de transformações e efeitos visuais, tudo é muito terra a terra e moderado, com uma economia de meios ao serviço da eficiência, como que dizendo que se não tens cão, não o mostres (uma regra de ouro que já Tourneur aplicava).

No final temos um pequeno filme, pouco inovador mas eficiente e suficientemente interessante para pegar numa figura mítica em extinção do imaginário coletivo, e colá-la a um jovem que não tem a ambição de seguir para a grande cidade.

Pontuação Geral
Jorge Pereira
teddy-era-uma-vez-um-lobisomemFilme eficiente e com um protagonista, Anthony Bajon, em boa forma