Conhecido por obras de baixo orçamento como “Noroi: The Curse” (2005), “Carved” (2007) e “Grotesque” (2009), mas especialmente por “Sadako vs. Kayako”, Koji Shiraishi tem no seu cinema uma tendência assumida para a ultra-violência e humor negro, entregando tudo – ações, emoções e personagens – de forma frequentemente hiperbólica.
Em “A Beast in Love“, cuja estreia mundial decorreu no MOTELx, isso sente-se em toda a linha durante os seus “algo esticados” 85 minutos, sendo claramente visível o piscar de olho do realizador ao western (e neo-western), mas sempre com um sentimento de liberdade (algo punk à la Sogo Ishii) fora de qualquer modelo do cinema mainstream.
Conto bizarro que cruza num bar (em nenhures) um trio de assassinos sociopatas, um travesti muito emocional, e um jovem frágil com um “monstro” oculto em si, “A Beast in Love” joga com a surrealidade e total imprevisibilidade para nos entregar um espétaculo de violência moderada (salvo uma cabeça a saltar aqui ou ali) onde as relações de poder entre fracos e fortes são o motor que equilibra e desequilibra a ação.
Em particular, no centro de tudo está em Chuya, um jovem com um passado negro e misterioso, maltratado e abusado pelo patrão e pelos colegas, mas que esconde nele – ao estilo de “Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde” – uma criatura, uma besta que o transforma num assassino implacável. Depois temos ainda o tal travesti, ou “mulher de verdade”, como el@ se descreve, um elemento fora de órbita que vai conseguir chocar com todas as personagens que lhe aparecem pelo caminho, sempre com um discurso de amor-ódio para psicólogo se entreter.
No final, e com mais um par de personagens secundárias que dão uma camada extra de história pronta a ser dispensada,”A Beast in Love” revela ser um filme típico de Koji Shiraishi, um disparate absurdo de entretenimento escapista para festivais do género ou eventos cineclubistas.















