
Drama coming-of-age misturado com cultura de rua – onde a rebeldia adolescente surge emoldurada por música rap e street art. Chérif (Zinedine Benchenine), de 15 anos, vive numa família disfuncional e, depois de reincidente em problemas com a justiça, vai viver próximo do pai na cidade de Estrasburgo. Lá acaba por envolver-se no submundo do grafite, onde o grupo no qual passa a fazer parte persegue uma espécie de Bansky local, um misterioso artista que assina as suas obras como “Vandal”.
Neste filme de estreia do realizador Hélier Cisterne não chega a incomodar o caráter corriqueiro dos temas e isto é um elogio. O cineasta privilegia um caráter demonstrativo de uma juventude sem rumo em detrimento de contar uma verdadeira história (com exceção do artista misterioso). Essa opção, embora seja auxiliada por personagens bem delineados e sequências dramáticas credíveis, não chega a evitar uma relativa previsibilidade e alguns momentos demasiado mornos.
De resto, é um filme tecnicamente correto, onde se sobressaem o trabalho de edição (de Thomas Marchand, que trabalhou em Suzanne e Swim Little Fish Swim, ambos presentes na última edição do Indie Lisboa) a conferir rapidez a uma história de jovens e a música atmosférica de Ulysse Klotz a ser particularmente eficaz ao evocar o caráter deslumbrado de Chérif na sua relação com a street art – sedutora pela tanto pela sua vertente artística quanto pela sua ilegalidade.
O melhor: no geral eficaz ao retratar um certo extrato da adolescência
O pior: momentos demasiado mornos

Roni Nunes

