
Filme mexicano que mergulha nas mais diversas tradições do cinema de terror de baixo orçamento. A história gira em torno de um casal cujos filhos, após terem entrado numa gruta durante uma viagem de férias, voltam para casa completamente modificados. A aproveitar as possibilidades abertas pela busca dos pais por explicações, o realizador Adrian García Bogliano aventura-se por uma proposta que navega entre a megalomania e o inventário de todos os ícones que caracterizam a tradição horror low budget.
Depois dos membros amputados (splatters) e de um misterioso serial killer (slashers) no início, Bogliano abandona o realismo e avança pelo sobrenatural, reproduzindo convenções do satanismo, dos fenómenos paranormais e até de zombies, sem esquecer maldições indígenas ancestrais.
Entre mortes violentas e uma investigação policial, o cineasta espanhol investe também o erotismo que tanto acompanhou os filmes B dos anos 60 e 70 – desde o giallo até os sexploitation. É neste domínio que Bogliano revela maior eficácia, conjugando nudez sempre à beira do gratuito com a sensualidade que os latino-americanos costumam imprimir mesmo no seu cinema generalista.
A sua maior façanha, no entanto, é conseguir gerir tudo sem cair na paródia e, principalmente, no ridículo. Para além disto, não é uma obra que simplesmente reproduza clichés, fazendo antes uma abordagem consciente dos arquétipos terroríficos. Isso não impede o realizador de sucumbir à crónica falta de foco e de deixar a sua história cair em momentos confusos, tendo dificuldade em justificar muitas das opções que toma – tanto em termos linguísticos quanto de enredo. Apesar disto, bons momentos de tensão e erotismo garantem a diversão.
O Melhor: é um filme tenso que nunca cai na paródia
O Pior: a megalomania intrínseca e a falta de foco daí resultante

Roni Nunes

