«The To Do List» (A Lista dos Prazeres) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

A salutar democracia entre os géneros conquistada pelas mulheres nas últimas décadas culmina na possibilidade delas terem o seu próprio filme sobre despertar sexual e perda da virgindade no estilo de American Pie e, mais grave, dos seus ancestrais Porkys.

Brandy Clark (Aubrey Plaza) é uma adolescente a terminar o liceu como a melhor aluna da sua classe. Mas eis que no seu discurso de formatura, programado para ser pomposo e autoindulgente, alguém resolve insulta-la com o pior dos adjetivos, chamando-a de virgem! Apesar de agressivo e insolente, o comentário leva Brandy a pensar que realmente tem de solucionar o “problema” antes da entrada para a universidade.

Habituada a resolver tudo na base da racionalidade, ela organiza a lista que dá o título ao filme e que inclui a mais variada prática de preliminares e afins como preparação para o ato final – a ser consumado com um nadador-salvador de piscina com pinta de rock star (Scott Parker). Fecha-se o triângulo cliché com Cameron (Johnny Simmons), um garoto autêntico que realmente-gosta-dela-mas-ela-não-liga.

O contrassenso em trabalhar racionalmente desejos que pertencem ao domínio do intuitivo/sensorial poderia ser um bom tema de trabalho para a realizadora Maggie Carey na sua primeiro obra para o cinema. Mas num filme onde a intelectualidade é ridicularizada e a estupidez é glorificada, seria inútil esperar mais do que o habitual – uma comédia que limita-se a extrair situações cómicas dos dilemas e tormentos da protagonista. Ligeiramente mais útil é o comentário não muito profundo sobre a obsessão por sexo na sociedade atual.

Mas o pior deste filme é fazer lembrar em alguns momentos as comédias patrocinadas pela franquia Judd Apatow onde, sobre uma aparência de liberalidade e um palavreado que faria corar as nossas avós, não passam de um amontoado de situações grosseiras sem um pingo de erotismo/sensualidade genuinamente transgressivo. Neste sentido, Carey consegue a igualdade entre os sexos e esperar uma abordagem dotada de mais inteligência ou sensibilidade talvez fosse sexismo…

De qualquer forma, o filme safa-se por conter, só para variar, momentos verdadeiramente engraçados – muitos deles patrocinados por um elenco secundário afiado e no qual se destaca Bill Hader como o patrão calão de Brandy – para além de uma participação muito divertida de Andy Samberg como um rocker neo hippie.

O Melhor: tem momentos muito engraçados
O Pior: não escapa de ser “mais-uma-comédia-adolescente-com-sexo-e-cenas-grosseiras”


Roni Nunes

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