«Phantom» (Phantom – Submarino Fantasma) por Roni Nunes

(Fotos: Divulgação)

A Guerra Fria ainda fomenta a imaginação de alguns argumentistas, ressuscitando aqui um dos seus subgéneros – os filmes onde a ameaça provém de submarinos russo/soviéticos pilotados por desertores ou fanáticos homicidas. À semelhança de obras como K-19 ou Caça ao Outubro Vermelho, este também pretende-se baseado em fatos verídicos, embora isso só seja utilizado para reforçar o poder do enredo pois a preocupação com a veracidade histórica é pequena.

Phantom, realizado por Todd Robinson (Corações Solitários), inspira-se livremente num incidente ocorrido em 1968 com o submarino K-129. Um veterano comandante russo, Demi (Ed Harris) recebe uma última missão – ir dar uma volta com uma velha carcaça antes dela ser vendida aos chineses. Leva consigo, no entanto, alguns visitantes indesejados (entre os quais David Duchovny) que parecem agentes da ala radical do KGB e que pretendem fazer uns testes a bordo. Paralelamente, um amargurado Demi vai tendo lembranças de um passado não muito glorioso.

Em termos dramáticos, Phantom aventura-se por uma via arriscada, reunindo uma trajetória pessoal construída de forma cuidada mas lenta, com acontecimentos que demandam rapidez. No primeiro caso, trata-se de um homem decadente, epilético (de origem traumática), bêbado, marcado pela culpa e que terá de encontrar uma réstia de dignidade para reagir aos eventos à sua volta. E é aqui que o filme se sai melhor, num esforço de Ed Harris a contento –acompanhando aliás, por um excelente elenco secundário (além de Duchovny há William Fichtner).

Porém, quando se trata de introduzir movimento e tocar o filme para a frente, este perde-se com uma história obtusa e incoerente. É difícil manter o interesse quando os momentos de ação são intercalados com uma enormidade de cenas com ordens “técnicas” onde só resta a quem assiste esperar pela reação dos personagens para saber o que está realmente a acontecer. O final é digno da confusão geral.

A falha nos seus pressupostos artísticos terminar por condenar o filme também pela sua terrível falta de timing. Se às vésperas da dissolução da antiga União Soviética fazia todo o sentido levar ao cinema as propagandas de Tom Clancy, cujo próprio teor foi matizado pela adaptação elegante de John McTiernam, hoje em dia a abordagem política do filme, em si bastante fraca, aparece datada. E será escusado um diálogo absolutamente pateta entre o “herói” e o vilão quando o primeiro diz que os norte-americanos nunca atacariam os soviéticos porque “tinham empatia e eram humanitários.” Isso no auge da Guerra Fria…

O Melhor: o trio de protagonistas, a construção da personagem de Harris
O Pior: a história contada de uma forma muito confusa


Roni Nunes

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