Talvez o aspeto mais surpreendente de Até à Eternidade, filme padrão de Hollywood em como fazer um épico multioscarizado, atualmente em reposição nos nossos cinemas, é o quão económico realmente é, para um épico.
O ataque a Pearl Harbor, por exemplo, ocorre apenas na última bobine do filme ou nas proximidades dela, e consegue ser tão breve como intenso. Outros filmes fariam deste ataque “o grande acontecimento“, passível de ser prolongado durante uma boa hora. O realizador austríaco Fred Zinnemann (que viria a tornar-se um dos meninos queridos da Academia de Hollywood) percebe que o foco deste filme tinha que ser obrigatoriamente humano, sendo a guerra sempre casual, e chocante face aos conflitos internos das personagens, que pareceriam os maiores deste mundo – e aqui, causando mesmo um efeito de sacudidela em qualquer espectador que já se questionava se os conflitos seriam apenas a uma escala mais intima…
De resto, percebe-se bem o sucesso. O filme flui de um modo tão natural como as ondas que rodeiam os dois amantes na sequência mais icónica do filme (e posteriormente parodiada/referenciada à exaustão). E ter um elenco de primeira linha à disposição, juntando nomes como os de Frank Sinatra, Deborah Kerr, Montgomery Clift, Burt Lancaster e Donna Reed, só ajuda.

André Gonçalves

