O pressuposto deste projeto “cinematográfico” é, de saída, o pior possível: o filme pretende-se uma espécie de resumo de uma série televisiva de produção muito problemática que vai estrear um ano depois do previsto (em setembro, se não houver novas alterações).
As histórias giram em torno do dia-a-dia de um grupo de criminosos liderados por uma verdadeira vilã chamada Diana (Maria João Bastos), que durante o desenrolar do filme terá momentos de sobra para mostrar-se como uma assassina fria e implacável. A par das peripécias do bando, surgem as efemérides de outros habitantes do “bairro”, sempre em busca de humor e caricaturas, raramente com um sentido social mais alargado.
Ao contrário do que se poderia esperar, as cenas de ação até são aceitáveis, desde que não se espere algo estilo Hollywood. Da mesma forma, o elenco é eficaz e, especialmente Maria João Bastos, consegue ser credível num personagem muito distante do seu universo habitual. Algumas situações são interessantes e o humor resulta em diversos momentos. Na televisão, até pode vir a funcionar.
Mas, como já se disse, trata-se de uma série condensada. Isso significa que a estrutura que deveria ter um thriller/filme de ação é completamente sacrificada nos seus parâmetros essenciais – onde a lógica habitual sugere um tempo de apresentação do conflito e dos personagens, outra do desenrolar da história e uma resolução adequada para a mesma.
Com a falta disto, o que se tem são personagens a entrarem e desaparecerem sem deixar rastos, sequências inteiras metidas no meio de outras sem qualquer ligação e, sem o crescendo propiciado pelo paradigma do thriller, resulta num exasperante, anódino e interminável conjunto de cenas metidas “ao calhas”.
O Melhor: eventualmente pode funcionar na TV
O Pior: como cinema, é uma mixórdia indecente

Roni Nunes

