Neste filme, Fellini retrata a sua cidade-natal, Rimini, como a recordava da sua juventude dos anos 30. Muitas personagens humanas e quentes e o humor mediterrânico tornaram este o melhor dos filmes de Fellini.
Elenco
Pupella Maggio, Armando Brancia, Magali Noël, Ciccio Ingrassia, Nando Orfei, Luigi Rossi
Realizado por Frederico Fellini
Crítica
AMARCORD significa no dialecto romano “recordo-me”. É isso que este filme é. Uma eterna recordação da infância e adolescência de Fellini, numa cidade provinciana dos anos 30, mesmo antes do conflito máximo que assolou a Europa.
O filme não é auto-biográfico, mas antes uma adaptação das melhores e piores recordações do cineasta que encarnam em várias personagens do filme. Inicialmente, a película segue, como tantas outras, como se um ensaio documental e histórico da época fosse caricaturado com uma precisão cirúrgica. Existe sempre uma continuidade nas situações e história que se vai perdendo a caminho do fim, transformando este em contínuos sketches de memórias. Absolutamente imperdível por qualquer cinéfilo, o humor é uma constante e, a meu ver, o seu maior triunfo é cativar mesmo aquele espectador que ainda vê o cinema europeu como uma obra para elites.
Não é vibrante, mas entusiasmante. Não é cinema de piada fácil mas de inteligente dedução e onde certos elementos são nitidamente exagerados sem nunca se tornarem ridículos.
O crítico João Lopes afirmou, e muito bem, que não pactua com um certo separatismo que existe entre obra de autor e entretenimento. ‘Amarcord’ é sem dúvida um belo exemplo, tal como considero Emir Kusturica um dos cineastas activos que segue a mesma dinâmica. Nada pretensioso e tremendamente divertido, ‘Amarcord’ é uma brilhante viagem que todos nós fazemos mentalmente e que Fellini teve oportunidade de passar para o grande ecrã.

