Festa do Cinema Francês: ‘Le Refuge’ – Por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

Como é que um cineasta como François Ozon faz um filme banal, sensaborão e anoréctico emocionalmente  como “Le Refuge” é uma questão que nunca saberei responder.

O certo é que o homem que já nos deu obras como “Swiming Pool”, e especialmente “Le Temp qui Reste”, executou com este refúgio um exercício de mediocridade camuflado de sensações de uma personagem oca que não sabe o que há-de transmitir. Será culpa da protagonista, Isabelle Carré? Não creio. Falta muita coisa a esta obra, mas acima de tudo falta uma consistência ou saber realmente o que se quer mostrar.

No filme seguimos Mousse (Isabelle Carré), uma mulher que sobreviveu a uma overdose, mas cujo companheiro, Louis (Melvil Poupaud), não. Logo após a morte do namorado, a jovem de boas famílias fica a saber que está grávida dele. Entre a pressão da dependência e a pressão da mãe de Louis, que a quer forçar a interromper a gravidez, Mousse refugia-se numa casa à beira-mar. Aí vai passar os meses de gravidez entre a dúvida, aumentada pela chegada de Paul (Louis-Ronan Choisy), o irmão de Louis, com quem vai ter um relacionamento peculiar.

É no meio de clichés e atitudes banais  das personagens que há por vezes alguns momentos que prometem abalar com o filme. Porém, e de forma parca, não houve qualquer tipo de coragem ou arrojo de Ozon em fugir ao banal, ao mundano, ao triste fado das personagens. Veja-se a cena em que Mousse é engatada por um homem que se excitava com grávidas. Não existe uma ponta de improviso nesta película vulgar.

 
Dispensável…
O Melhor-  Isabelle Carré, a actriz, é maior que a personagem.
O Pior – Não sai do mundano nem entra no poético ou verdadeiramente emocional. É tudo profundamente banal e previsível.

A Base: Não houve qualquer tipo de coragem ou arrojo de Ozon em fugir ao banal, mundano, ao triste fado das personagens…3/10

Jorge Pereira

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