Festa do Cinema Francês: ‘Micmacs à tire-larigot’ – Por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)

“É melhor viver com uma bala alojada no cérebro, mesmo que isso signifique que possas morrer a qualquer instante? Ou preferias retirar a bala e viver como um vegetal para o resto da vida? As zebras são brancas com listas pretas, ou pretas com listas brancas? Valem mais os estilhaços que as minas? Cabe uma mulher num frigorífico? Qual o recorde mundial de um homem lançado num canhão?” E porque diabo sempre que procuramos uma localização num mapa ela está numa dobra com pouca visibilidade. Estas são algumas das questões absurdas que se colocam em “Micmacs à tire-larigot”, a nova obra de Jean-Pierre Jeunet – o responsável por filmes como “Delicatessen” ou “Amélie”, uma profunda sátira ao mundo do armamento.

No filme seguimos um homem que confronta dois dos maiores manufactores de armas de França. A razão é simples. O seu pai morreu com uma mina e ele tem uma bala alojada na cabeça que pode a qualquer momento levá-lo à morte.

Com actores acostumados a trabalhar com o cineasta, como Dominique Pinon – actor fetish do cineasta que participou em “Delicatessen” e “Amélie” – Dany Boon e André Dussollier, entre outros, “Micmacs à tire-larigot” leva Jeunet a um mundo mais surreal, mais perto deDelicatessen, mas esticando mais os limites da farsa.

O resultado é um filme bastante cómico, que por vezes porém excede-se na surrealidade e repega em pequenos detalhes já esbatidos, na forma, em outros trabalhos do cineasta.

Se merece uma olhadela? Claro, mas esta é uma obra menor comparada com os já citados ‘Amélie’ e ‘Delicatessen’.


O Melhor: Os pequenos detalhes

O Pior: Certos momentos, na forma, são demasiado colados ao trabalho do cineasta.

A Base: Um filme bastante cómico, que por vezes excede-se na surrealidade e repega em pequenos detalhes já esbatidos, na forma, em outros trabalhos do cineasta…6/10

 

Jorge Pereira

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