Festa do Cinema Francês : ‘Le Père de mes enfants’ por Jorge Pereira

(Fotos: Divulgação)


Apesar de ser inspirado na vida de Humbert Balsan, ‘Le Pére des mes enfants’ não é uma biografia. Mia Hansen-Love, a cineasta por trás deste filme, afirma que durante um ano só deve ter visto Balsan umas quinze vezes, mantendo-se longe da sua intimidade e da sua vida familiar de maneira a ser completamente livre de escrever um filme de ficção, ainda que num tom documental quando aborda a questão do que é ser um pequeno produtor de filmes independentes.

No filme seguimos Grégoire Canvel, um pai extremoso com três filhas, uma mulher formidável que ele ama e uma profissão que o apaixona e o faz andar constantemente de telefone em punho. Aliás, só aos fins-de-semana, quando viaja com a família para o campo, ele parece deixar de lado a sua profissão.

Porém, nem tudo vai bem na sua vida. Se pelo lado familiar as coisas correm de feição, a verdade é que a sua produtora, a Moon Films, está sufocada de dívidas e com inúmeros contratempos na suas mais recentes produções. Cansado, e cada vez mais apertado financeiramente, Grégoire isola-se e toma uma decisão que irá afectar todas as pessoas com quem se cruza e lida diariamente.

Construído em torno de uma personagem central, é curioso constatar tanta vida nas demais personagens. E se a Paris que é filmada faz lembrar a capital francesa no início da Nouvelle Vague, a forma como os actores são dirigidos é sem dúvida um dos pontos fortes de um filme, que apesar de seguir muito os meandros da produção de cinema, acima de tudo mostra relações familiares no antes e após uma tragédia.

 

O Melhor: As interpretações

O Pior: Por vezes o olhar da cineasta é tão distante que assistimos a um momento de tragédia quase sem sentir que o é.

A Base: Apesar de seguir muito os meandros da produção de cinema, acima de tudo mostra relações familiares no antes e após uma tragédia…6/10

Jorge Pereira

 

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